ECONOMIA - 14/01/2026 10:53

Tesouro piora projeções para dívida pública e prevê alta até 2032

Segundo o Tesouro Nacional, dívida bruta deve atingir pico de 88,6% do PIB em 2032, pressionada pelos juros elevados
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Foto: Marcos de Lima / WH Comunicações 
O Tesouro Nacional revisou para pior as projeções da dívida pública bruta do Brasil e passou a prever uma trajetória de alta do endividamento até 2032. De acordo com novas estimativas divulgadas nesta semana, a dívida deve alcançar 88,6% do Produto Interno Bruto (PIB) naquele ano, antes de iniciar uma leve trajetória de queda nos anos seguintes.

No relatório de projeções fiscais, o Tesouro estima que a dívida bruta fechará 2026 em 83,6% do PIB, acima da previsão anterior, que apontava 79,3% para o mesmo período. Já em 2035, último ano do horizonte projetado, a dívida ainda deve permanecer em patamar elevado, em 88% do PIB.

As novas projeções representam uma piora significativa em relação ao relatório divulgado em julho do ano passado, quando o Tesouro previa um pico de 84,3% do PIB em 2028, com recuo gradual até 82,9% em 2035.

Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, o principal fator por trás da revisão é o nível elevado dos juros nominais, que continuam pressionando o endividamento público ao longo dos próximos anos. O órgão destacou que a trajetória futura da dívida dependerá da obtenção de resultados primários positivos e de uma redução da relação entre juros e PIB no médio prazo.

“O comportamento da dívida será determinado, sobretudo, pelas expectativas de superávits primários e pela dinâmica dos juros”, afirmou o Tesouro no documento.

Atualmente, o cenário é impactado pela política monetária restritiva. O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano desde junho do ano passado, o maior patamar em quase duas décadas, sem sinalizar quando poderá iniciar um ciclo de cortes. Esse nível elevado de juros tem efeito direto sobre a dívida pública, já que cerca de metade dos títulos emitidos pelo governo é indexada à Selic, aumentando o custo do endividamento.

O relatório reforça o desafio fiscal do país nos próximos anos e indica que o espaço para investimentos públicos seguirá limitado enquanto a dívida permanecer em trajetória ascendente.
Fonte: r7
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