
No relatório de projeções fiscais, o Tesouro estima que a dívida bruta fechará 2026 em 83,6% do PIB, acima da previsão anterior, que apontava 79,3% para o mesmo período. Já em 2035, último ano do horizonte projetado, a dívida ainda deve permanecer em patamar elevado, em 88% do PIB.
Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, o principal fator por trás da revisão é o nível elevado dos juros nominais, que continuam pressionando o endividamento público ao longo dos próximos anos. O órgão destacou que a trajetória futura da dívida dependerá da obtenção de resultados primários positivos e de uma redução da relação entre juros e PIB no médio prazo.
Atualmente, o cenário é impactado pela política monetária restritiva. O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano desde junho do ano passado, o maior patamar em quase duas décadas, sem sinalizar quando poderá iniciar um ciclo de cortes. Esse nível elevado de juros tem efeito direto sobre a dívida pública, já que cerca de metade dos títulos emitidos pelo governo é indexada à Selic, aumentando o custo do endividamento.

