
Segundo Arnall, a chamada "segunda-feira melancólica" reúne uma série de fatores que costumam pesar no começo do ano: o fim das férias, o retorno ao trabalho, a frustração com as resoluções de Ano-Novo e as contas deixadas pelas festas de dezembro.
O psicólogo chegou até a criar uma fórmula matemática para tentar explicar os níveis de tristeza, combinando elementos como clima, dívidas, tempo desde o Natal e motivação pessoal. A ideia, no entanto, é criticada por alguns especialistas, que afirmam que não há comprovação científica de que exista um dia específico mais triste do ano.
Além disso, nem mesmo a data é consenso. Para alguns, a Blue Monday cai na terceira segunda-feira de janeiro; para outros, na última segunda do mês com semana cheia (o que, em 2026, faz a data cair em 26 de janeiro).
Mesmo com as críticas, especialistas reconhecem que os fatores citados ajudam a explicar por que muita gente se sente mais desanimada nessa época do ano.
Para lidar com a frustração das metas que não saem do papel, o professor de psicologia Ian Ballard, da Universidade da Califórnia, recomenda focar na criação de hábitos, e não apenas na motivação.
Segundo ele, hábitos exigem menos esforço mental e se tornam mais automáticos com o tempo. Para isso, o ideal é estabelecer metas realistas, manter uma rotina e criar pequenas recompensas. "Se a atividade já for prazerosa, ou se houver uma recompensa no fim, fica mais fácil continuar", explica.
Ballard também sugere usar a metodologia Smart, em que as metas precisam ser específicas, mensuráveis, possíveis de alcançar, relevantes e com prazo definido. Colocar essas resoluções no papel e deixar claro o que se ganha com elas também ajudam a manter o foco.
A volta à rotina depois das férias
Entre as estratégias recomendadas estão escrever sobre os próprios sentimentos, avaliar diariamente como está o humor e parar para se perguntar o que pode ajudar a se sentir melhor naquele momento.
Dívidas de fim de ano também pesam no emocional
Muitos trabalhadores usam valores extras para quitar dívidas, enquanto poucos conseguem direcionar esse dinheiro para lazer. Planejar gastos como impostos e material escolar pode ajudar a reduzir o aperto financeiro ao longo do ano.
"Organizar as contas e quitar dívidas recorrentes já traz uma sensação de alívio", explica a economista.
É importante lembrar: tristeza não é depressão
No entanto, especialistas apontam que sentir tristeza ou desânimo em alguns momentos é diferente de depressão, que é uma doença séria e que exige diagnóstico com acompanhamento especializado. No Brasil, cerca de 15,5% da população enfrentam o transtorno ao longo da vida. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico ou psicológico.

