
Criado em 1947 por cientistas do Bulletin of Atomic Scientists, o chamado Relógio do Juízo Final voltou a acender um alerta máximo para a humanidade. Em 2026, o marcador simbólico passou a indicar 85 segundos para a meia-noite, o ponto teórico da destruição total, o menor intervalo já registrado desde a criação do relógio.
O indicador surgiu no período pós-Segunda Guerra Mundial e, inicialmente, tinha como foco principal medir os riscos de uma guerra nuclear. O grupo responsável reunia especialistas que participaram do desenvolvimento da primeira bomba atômica do mundo e buscava alertar governos e a sociedade sobre os perigos da escalada armamentista. Ao longo das décadas, o relógio passou a ser ajustado conforme eventos globais considerados ameaças existenciais.
A partir de 2007, os cientistas decidiram ampliar os critérios de avaliação e incluir as mudanças climáticas nos cálculos. Desde então, crises ambientais, tensões geopolíticas, avanços tecnológicos e falhas na governança global têm influenciado diretamente os ajustes do relógio, aproximando-o cada vez mais da meia-noite.
Momentos históricos marcaram mudanças significativas no indicador. Em 1953, durante a corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética, o relógio foi ajustado para dois minutos da meia-noite após testes de bombas de hidrogênio pelas duas potências. Já em 1984, no auge da Guerra Fria, o marcador chegou a três minutos da meia-noite, refletindo o colapso do diálogo entre os dois países e o aumento da tensão militar.
Em 2018, o Relógio do Juízo Final voltou a marcar dois minutos para a meia-noite, impulsionado pelo avanço do programa nuclear da Coreia do Norte, tensões internacionais e pela falta de ações efetivas contra as mudanças climáticas. Dois anos depois, em 2020, o relógio passou a marcar 100 segundos, pela primeira vez abaixo da marca de dois minutos, com alertas simultâneos sobre guerra nuclear, crise climática e desinformação digital.
Em 2025, o indicador já havia atingido 89 segundos da meia-noite. Segundo os cientistas, apesar de os riscos não serem novos, líderes e sociedades falharam em mudar o rumo diante das ameaças, como o uso indevido de tecnologias, avanços nas ciências biológicas e inteligência artificial.
O novo ajuste, em 2026, levou o relógio a 85 segundos da meia-noite. Os especialistas citaram o comportamento agressivo de potências nucleares, o agravamento da crise climática e as preocupações com o uso e a falta de controle da inteligência artificial como fatores centrais para o alerta mais severo já emitido.
Mesmo em momentos extremos da história, como a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, o relógio não sofreu alterações. Segundo o Bulletin, o indicador não mede episódios isolados, mas tendências globais e a capacidade dos líderes e das sociedades de responder às crises de forma racional e eficaz. Após aquele episódio, Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido assinaram um tratado que proibiu testes nucleares em diversos ambientes, o que foi visto como um avanço.
O relógio nunca chegou a marcar meia-noite. Para Rachel Bronson, presidente e CEO do Bulletin of Atomic Scientists, esse é um cenário que se espera nunca alcançar. Segundo ela, a meia-noite simbolizaria uma troca nuclear em larga escala ou uma mudança climática catastrófica capaz de extinguir a humanidade. O objetivo do alerta, reforça a entidade, é justamente evitar que esse ponto seja atingido.

