
Foto: Marcos de Lima / WH Comunicações
O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa anual de desemprego desde o início da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a desocupação ficou em 5,6% no ano passado, abaixo dos 6,6% registrados em 2024 — até então o menor patamar da série.
No quarto trimestre de 2025, a taxa nacional caiu para 5,1%, recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 (6,2%).
O resultado consolida uma trajetória de queda nos últimos três anos e marca um novo recorde no mercado de trabalho brasileiro.
Comparação histórica
Entre 2015 e 2017, a taxa média anual de desemprego foi de 11%. No triênio 2019–2021, período impactado pela pandemia, o índice subiu para 13,1%. Já entre 2023 e 2025, a média caiu para 6,6%.
Segundo o IBGE, a melhora está associada à recuperação de setores como serviços e comércio, além do avanço das ocupações formais. Ainda assim, especialistas alertam que é necessário analisar o cenário junto a indicadores de renda, informalidade e qualidade das vagas.
Estados com menor e maior desemprego
As menores taxas anuais de 2025 foram registradas em:
Mato Grosso – 2,2%
Santa Catarina – 2,3%
Mato Grosso do Sul – 3,0%
Já os maiores índices ficaram com:
Piauí – 9,3%
Bahia – 8,7%
Pernambuco – 8,7%
Regionalmente, houve queda no desemprego no quarto trimestre em quatro das cinco regiões do país. A única com estabilidade foi a Região Norte.
Diferenças por gênero, raça e escolaridade
Apesar do recorde histórico, os dados mostram desigualdades persistentes:
Homens: 4,2%
Mulheres: 6,2%
Por cor ou raça:
Pessoas brancas: 4,0%
Pessoas pretas: 6,1%
Pessoas pardas: 5,9%
Em relação à escolaridade:
Ensino médio incompleto: 8,7%
Ensino superior completo: 2,7%
Superior incompleto: 5,6%
Os números indicam que maior nível de instrução segue diretamente relacionado a menor taxa de desocupação.
População ocupada bate recorde
A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas em 2025, maior contingente da série histórica. Já o número de desempregados caiu para cerca de 6,2 milhões — aproximadamente 1 milhão a menos do que em 2024.
O nível de ocupação (proporção de pessoas ocupadas com 14 anos ou mais) atingiu 59,1%, também recorde.
Os estados com maior nível de ocupação foram:
Mato Grosso – 66,7%
Santa Catarina – 66,2%
Mato Grosso do Sul – 64,4%
Rendimento e informalidade
O rendimento real habitual médio ficou em R$ 3.560.
Os maiores rendimentos foram registrados em:
Distrito Federal – R$ 6.320
São Paulo – R$ 4.190
Rio de Janeiro – R$ 4.177
Já os menores ficaram com:
Maranhão – R$ 2.228
Bahia – R$ 2.284
Ceará – R$ 2.394
Apesar do avanço no emprego, a taxa de informalidade permaneceu em 38,1% da população ocupada. Maranhão, Pará e Bahia registraram os maiores índices, enquanto Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo apresentaram as menores taxas.
A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 14,5%, e o desalento — pessoas que desistiram de procurar emprego — em 2,6%.
Cenário
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam um mercado de trabalho em expansão, com desemprego no menor nível da série histórica.
Ao mesmo tempo, o retrato mostra que ainda há desafios estruturais, principalmente no combate à informalidade e às desigualdades regionais, de renda e de acesso ao emprego formal.