
Durante a entrevista, a autora compartilhou a motivação em escrever a obra, que fez parte do seu Trabalho e Conclusão de Curso (TCC), na graduação de jornalismo. As páginas narram como a doença acometeu sua avó, dona Genoefa, ou dona Geno, em memória. Em 11 capítulos são descritos os quase 11 anos que acompanhou a avó tanto diante da doença, elencando desafios mas também os gestos de carinho, da compreensão de ensinar novamente as coisas esquecidas, do amor empregado na convivência diária. O texto costura dados relacionados ao Alzheimer, propondo um diálogo sensível entre o jornalismo literário e o tema. “Quando decidi que teria essa profissão procurei ao longo do tempo que ainda passamos juntas registrar cada momento, para que um dia pudesse oportunizar a outras pessoas conhecerem a história da mulher que ela foi e não lembrava de ter sido”, relata em um dos trechos do livro.
O conteúdo também aborda a perspectiva de quem, aos poucos, vai sendo esquecido, reforçando a importância dos familiares se apoiarem mutuamente. Caroline revela que o livro conta com trechos de cartas escritas pelas filhas de dona Geno, ampliando as percepções acerca da doença do esquecimento. A jornalista pontuou que buscar conhecer as vivências de outras famílias que passam por este processo pode contribuir ao lidar com os momentos desafiadores impostos pelo Alzheimer.
Ao mesmo tempo em que o livro traça um perfil de quem se esqueceu, também é dedicado àqueles que, aos poucos, se percebem sendo esquecidos, como uma mensagem de empatia e compreensão.
Ademais, a obra se coloca como uma ferramenta para ampliar e visibilizar o tema, desmistificando estigmas e reforçando a importância de conscientização em relação ao Alzheimer.
O Ministério da Saúde explica que a Doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória, comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais.

