
Quase três em cada 10 estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos, segundo levantamento divulgado pelo IBGE. Apesar de proibidos no Brasil, os chamados "vapes" seguem circulando com facilidade e avançam entre os adolescentes.
Aos 15 anos, Júlia Palma diz que provou o cigarro eletrônico atraída pelo sabor e pela sensação imediata provocada pelo produto. “Por ter um gostinho muito gostoso, e dá aquela baixada na pressão, você se sente mais leve... eu queria mais!”, relatou.
Sem perceber, o uso se tornou frequente e passou a fazer parte da rotina da estudante em diferentes ambientes. “Fumava em casa, no banheiro da escola... Não só eu como o pessoal da minha sala, em shopping, no cinema, no restaurante. Na viagem de formatura, até no avião eu fumei.”
Proibidos pela Anvisa desde 2009 por riscos como dependência e lesões pulmonares, os cigarros eletrônicos levaram Júlia a enfrentar dificuldade para dormir, tosse e cansaço, sintomas que a motivaram a abandonar o hábito.
Comercialização ilegal e apreensões
Segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), autoridades já identificaram mais de 17 mil pontos de venda digital de cigarros eletrônicos, entre sites e redes sociais. A comercialização ilegal também ocorre em pontos físicos, como flagrou o jornalismo do SBT na região da rua 25 de Março, na capital paulista.
Para combater esse mercado, operações de apreensão foram intensificadas no país. Nos dois primeiros meses deste ano, a Receita Federal apreendeu 238,8 mil unidades de vapes, média superior a 4 mil por dia; em 2025, foram 3 milhões de unidades apreendidas, recorde nacional.

