
No acesso principal do trecho urbano de São João do Oeste, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, uma casa azul, preta e branca chama a atenção de quem passa pelo local. Mais do que uma combinação de cores, o imóvel se tornou símbolo de uma paixão que atravessa décadas pelo Grêmio.
A residência pertence a Mercedes Cerutti, de 68 anos, conhecida como dona de uma das casas mais gremistas do mundo. Do lado de fora ao interior do imóvel, absolutamente tudo remete ao clube gaúcho: paredes, móveis, objetos decorativos e lembranças transformaram a casa em um verdadeiro templo tricolor.

Além da decoração temática, o local guarda relíquias históricas. Entre elas, uma chuteira de Henrique Valmir da Conceição, o China, ex-jogador que marcou época e conquistou títulos importantes pelo Grêmio na década de 1980.
A casa acabou se tornando ponto de curiosidade para moradores e visitantes. O repórter Diego Antunes, da NDTV Record, esteve no município — conhecido como a Capital Catarinense da Língua Alemã — para conhecer de perto o espaço que materializa uma paixão levada ao extremo.
Amor que nasceu no rádioMercedes conta que a paixão pelo Grêmio começou ainda na adolescência, ouvindo os jogos pelo rádio ao lado da família. O sentimento se fortaleceu durante a Copa do Mundo de 1970, quando passou a acompanhar o lateral-esquerdo Everaldo, campeão mundial com a Seleção Brasileira e ídolo gremista.
“Eu tinha 12 anos e a gente ouvia os jogos pelo rádio. Meu pai sempre falava que o Everaldo era jogador do Grêmio, e fui simpatizando cada vez mais”, relembra.

Paixão passada de geração em geração
O amor pelo Tricolor também atravessou gerações da família. Em tom bem-humorado, Mercedes conta que uma das netas praticamente precisou seguir a tradição. “Eu cuidava dela aos sábados e disse que, se fosse colorada, não cuidaria mais”, brinca, entre risos.
Renato, o maior ídolo
Entre tantos nomes que marcaram a história do clube, Renato Portaluppi ocupa um lugar especial no coração da torcedora. Mercedes revelou que prepara uma nova homenagem para a cozinha: uma mesa personalizada com o estádio do Grêmio e a imagem de Renato.
“Mandei fazer uma mesa com o estádio e o Renato dentro. Ele é o meu maior ídolo”, afirma.
Um momento inesquecível
Entre tantas lembranças acumuladas ao longo dos anos, nenhuma supera a emoção da histórica Batalha dos Aflitos, em 2005, quando o Grêmio venceu o Náutico e garantiu o retorno à elite do futebol brasileiro.
“Não tem Mundial, não tem Libertadores. Uma façanha como aquela nunca mais vai existir”, resume.
Para dona Mercedes, torcer vai muito além de acompanhar partidas. É um sentimento que ocupa a casa inteira e faz parte da própria vida. “É a minha paixão, não tem explicação”, conclui.

