
Maravilha foi sede do 1º Seminário de Cuidados Paliativos, realizado com o propósito de visibilizar o tema e discutir políticas públicas direcionadas ao cuidado integral da saúde por meio do SUS. O encontro ocorreu no Lar de Convivência, durante a tarde de sexta-feira (22), contou com duas palestras e reuniu aproximadamente 160 participantes de diversos municípios.

Mas afinal, o que são cuidados paliativos? O Ministério da Saúde define como ações de cuidado que priorizam o bem-estar e qualidade de vida de pessoas e seus familiares que convivem com uma doença grave que limita ou ameace a vida. Essa abordagem busca prevenir e aliviar o sofrimento físico, emocional, social e espiritual, através de suporte integral à saúde.
Maravilha recebeu o seminário após a audiência pública sobre o tema realizada na Alesc em dezembro do ano passado. A audiência foi organizada pela Comissão de Saúde e liderada pelo autor da proposta, deputado Padre Pedro Baldissera (PT). Com forma de ampliar o debate sobre os cuidados paliativos no estado, o deputado estadual pretende promover seminários em diversos municípios, e a Cidade das Crianças foi o primeiro deles.

“Os cuidados paliativos falam sobre acolhimento, dignidade, escuta e qualidade de vida. Falam sobre cuidar das pessoas com humanidade, especialmente nos momentos mais difíceis da caminhada. E iniciar esse seminário aqui em Maravilha tem um significado muito especial. Além de ser uma região pela qual tenho muito carinho e compromisso, aqui já existe um trabalho concreto e inspirador realizado pela Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos Renascer, que diariamente leva apoio, cuidado e esperança para tantas famílias. O Extremo Oeste catarinense merece estar no centro desse debate tão necessário sobre vida, direitos e dignidade humana”, destacou o parlamentar, que esteve presente no seminário.
A iniciativa realizada em Maravilha contou com o apoio da Associação Feminina de Fibromialgia para o Bem-Estar Emocional (AFFIBROBEM), Associação de Apoio ao Paciente Oncológico Renascer (AAPOR), e o Lar de Convivência de Idosos de Maravilha. Uma das palestrantes foi a psicóloga Makeli Orso, atuante na área de cuidados paliativos e psico-oncologia. Ela também é idealizadora da AAPOR e coordena o Grupo de Apoio a Pessoa com Câncer Renascer, em Maravilha. Ela destacou que o trabalho realizado junto a AAPOR, por si só, traz no DNA a essência de um trabalho de cuidados paliativos. Em sua exposição, compartilhou sua visão de “cuidado paliativo como possibilidade de vida: os medos são acolhidos, a dor diminui, a história da pessoa importa”, define. Defende inclusive, que as pessoas tenham acesso aos cuidados paliativos desde o início: “Assim, o paciente não se sente sozinho na travessia”.

A fisioterapeuta e docente Cássia Dalbosco, especialista em reabilitação e cuidados paliativos, explanou sobre o tema: "Cuidados Paliativos para além do diagnóstico: encontrando vida e sentido para além da vulnerabilidade". A profissional também atua na defesa dos cuidados paliativos como direito humano, destacando a importância de políticas públicas, e de levar este conhecimento à comunidade. Em suas falas abordou a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) e como o Estatuto do Paciente, instituído por Lei em abril deste ano, vem apoiar o processo de cuidado. A palestrante citou como exemplos de direitos: receber explicações fáceis de entender sobre a saúde; ter acompanhante de sua escolha em consultas e internações; aceitar ou recusar tratamentos que causem sofrimento sem trazer benefício real; buscar e receber alívio imediato e contínuo para a dor em qualquer estágio do tratamento.

Nirce Teresinha Lanius acompanhou o evento e avaliou que os pontos apresentados no seminário são de grande relevância, oportunizando mais conhecimentos sobre os direitos que envolvem os cuidados paliativos. Ela é integrante da AAPOR, e destaca que espaços como este, de informação e escuta, faz com que sempre se sinta curada.


