
Mesmo com a expectativa média do mercado apontando a taxa Selic em 13,25% ao final de 2026, cresce entre economistas a avaliação de que o Banco Central poderá ter menos espaço para reduzir os juros nos próximos meses.
A percepção ganhou força após novas revisões feitas por instituições financeiras diante da persistência da inflação, da alta do petróleo e do aumento dos juros globais.
O caso mais recente é o do Banco Pine, que elevou sua projeção para a taxa básica de juros ao final do atual ciclo de cortes. Segundo o economista-chefe da instituição, Cristiano Oliveira, a Selic deverá encerrar o ciclo em 14% ao ano.
Além dos juros, o banco também revisou para cima suas estimativas de inflação. A projeção para o IPCA de 2026 passou para 5,6%, enquanto o IGP-M foi elevado para 7,3%. Para 2027, a expectativa é de IPCA em 5% e IGP-M em 6%.
Petróleo e inflação pressionam cenário
Entre os fatores que motivaram a revisão estão:
- Alta dos preços agrícolas;
- Pressão dos derivados de petróleo;
- Inflação global acima do esperado;
- Expectativa de desvalorização do real;
- Piora das expectativas inflacionárias no Brasil.
O Citibank também passou a trabalhar com uma taxa de juros mais elevada. A instituição agora projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) encerre os cortes com a Selic em 13,75% ao ano, acima da previsão anterior de 13,25%.
Segundo os analistas, a inflação continua acima da meta estabelecida pelo Banco Central, enquanto as expectativas de mercado permanecem desancoradas, exigindo maior cautela da autoridade monetária.
Guerra e juros globais
Outro fator que influencia o cenário é a guerra entre Estados Unidos e Irã, que aumentou as preocupações em relação ao fornecimento global de petróleo, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte da commodity.
No entanto, para o Banco Pine, o conflito apenas acelerou um movimento que já estava em andamento: a elevação estrutural dos juros globais.
Nos últimos meses, dados de inflação acima do esperado em países como Estados Unidos, China, Japão e Brasil levaram investidores a exigir retornos maiores para financiar governos, pressionando os mercados de renda fixa.
Inteligência artificial também influencia
Os economistas também apontam que os investimentos globais em inteligência artificial e construção de data centers estão aumentando a demanda por capital e infraestrutura.
Embora essas tecnologias possam elevar a produtividade no longo prazo, no curto e médio prazo tendem a gerar maior pressão sobre a atividade econômica e sobre os preços.
Diante desse cenário, a avaliação predominante em parte do mercado financeiro é que os juros reais devem permanecer elevados por mais tempo, tanto nas economias desenvolvidas quanto no Brasil, dificultando uma queda mais acelerada da Selic nos próximos anos.

