
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, a menor taxa desde o início da série histórica analisada pelo Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O levantamento aponta uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, representando uma redução de 7,4% em comparação com 2023.
Apesar da queda nos números oficiais, os pesquisadores alertam para um aumento significativo na subnotificação dos casos, fenômeno que foi classificado como um possível “ponto cego estatístico” na segurança pública brasileira.
Homicídios ocultos preocupam pesquisadores
Segundo o estudo, parte das mortes violentas registradas no país é classificada como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), quando não é possível identificar oficialmente a causa do óbito.
Para estimar a real dimensão da violência, os pesquisadores utilizaram uma metodologia capaz de reclassificar parte desses casos como homicídios.
Com essa correção, o número estimado de assassinatos no Brasil em 2024 sobe para 49.673 vítimas. Nesse cenário, a redução em relação ao ano anterior seria de apenas 0,3%, praticamente uma estabilidade.
O levantamento mostra ainda que os chamados homicídios ocultos cresceram 88,6% entre 2023 e 2024, passando de 3.755 para 7.083 casos.
Ao longo dos últimos dez anos, o país acumulou cerca de 55 mil homicídios ocultos, com média superior a cinco mil ocorrências por ano.
Estados com menores e maiores taxas
De acordo com o Atlas da Violência, as menores taxas oficiais de homicídios foram registradas em:
- São Paulo
- Santa Catarina
- Distrito Federal
Já os maiores índices foram observados em:
- Amapá
- Bahia
- Pernambuco
- Alagoas
- Ceará
Cidades mais violentas do país
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas estão localizadas no Nordeste.
As dez maiores taxas de homicídios estimados foram registradas em:
- Maranguape – 87,2 homicídios por 100 mil habitantes
- Jequié – 79,4
- Maracanaú – 74,1
- Itapipoca – 74,0
- Caucaia – 72,9
- Juazeiro – 71,1
- Feira de Santana – 67,0
- Porto Seguro – 64,6
- Simões Filho – 64,0
- Camaçari – 62,9
O estudo conclui que, embora os indicadores oficiais apontem redução da violência letal no país, o avanço da subnotificação exige cautela na análise dos resultados e reforça a necessidade de aprimorar os sistemas de registro e investigação de mortes violentas.

