A moradora de São Miguel do Oeste, Letícia Casagranda, é uma das autoras do livro “O Capacitismo no Meu Dia a Dia”, uma coletânea que reúne histórias, reflexões e experiências vividas por pessoas com deficiência. A obra está em fase de pré-venda e tem lançamento previsto para o dia 21 de setembro.

Diagnosticada ainda na infância com a Doença de Stargardt, uma condição genética degenerativa que afeta a retina e compromete a visão, Letícia transformou suas vivências em um relato inspirador sobre inclusão, preconceito e superação.
Durante entrevista ao programa Atualidades, da Rádio 103 FM, ela explicou que o livro foi organizado pela Editora Inclusificando e reúne 25 autores no primeiro volume. A proposta é dar voz às pessoas com deficiência, compartilhando experiências reais do cotidiano.
“Existe muita literatura acadêmica sobre inclusão e deficiência, mas poucas vezes as pessoas que vivem essas situações diariamente têm a oportunidade de contar suas próprias histórias. Essa coletânea vem justamente para trazer essas vivências para o centro da discussão”, destacou.
Um dos aspectos que torna a participação de Letícia ainda mais especial é o fato de sua irmã também integrar a obra. As duas possuem o mesmo diagnóstico e relatam experiências diferentes sobre os desafios enfrentados ao longo da vida.
No capítulo escrito por Letícia, ela aborda situações de capacitismo vividas em ambientes escolares, sociais e profissionais. Segundo ela, o preconceito nem sempre aparece de forma explícita.
“O capacitismo vai muito além da discriminação direta. Às vezes ele está no excesso de proteção, no tratamento diferenciado ou até mesmo no silêncio diante de determinadas situações. É algo muito enraizado na sociedade e que precisa ser desconstruído”, afirmou.
A autora também relata momentos marcantes da infância e adolescência, período em que precisou lidar com as limitações impostas pela deficiência visual e com o sentimento de ser vista como diferente pelos colegas.
Apesar dos desafios, Letícia construiu uma trajetória de autonomia. Atualmente trabalha, estuda e mantém uma rotina ativa, mostrando que a deficiência não define suas capacidades.
A Doença de Stargardt é uma condição genética que afeta a visão central e costuma se manifestar ainda na infância ou adolescência. No caso de Letícia, os primeiros sinais surgiram durante o processo de alfabetização, quando dificuldades visuais começaram a ser percebidas pela família e pelos professores.
Interessados em adquirir o livro podem entrar em contato diretamente com a autora por meio das redes sociais. A pré-venda segue aberta até o dia 17 de junho, período em que será realizado o fechamento dos pedidos para a primeira edição.
A obra promete trazer importantes reflexões sobre inclusão, respeito às diferenças e os desafios enfrentados diariamente por pessoas com deficiência, contribuindo para ampliar o debate sobre acessibilidade e conscientização na sociedade.

