
O senador Jaques Wagner (PT) anunciou, por meio de uma publicação no X, que deixará a liderança do governo no Senado após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na tarde desta quarta-feira (24). Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada “em comum acordo”.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues (PT), além da minha reeleição junto com Rui Costa (PT) para o Senado”, afirmou. O senador afirmou que seguirá com o projeto coletivo que “vem mudando a Bahia e o Brasil”.
O senador e o presidente se reuniram às 16h40, no Palácio do Planalto. O encontro durou cerca de duas horas.
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Durante a reunião, Lula discutiu com Jaques Wagner o futuro do senador à frente da liderança do governo no Senado. Na semana passada, o petista foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
A operação envolvendo Daniel Vorcaro
Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do petista no esquema.
A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Em nota, Wagner nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira durante seu mandato.
Sobre o imóvel citado pela Polícia Federal, o senador declarou que ele não integra o patrimônio do líder do governo.
Quem é Jaques Wagner
Jaques Wagner é um dos mais longevos aliados políticos de Lula em Brasília. Os dois são amigos desde a década de 1970, oriundos do movimento sindical — Lula, do dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), e Wagner, do dos trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.
Jaques Wagner foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula. Em 2006, foi eleito governador da Bahia.
Em 2010, foi reeleito e conseguiu fazer seu sucessor em 2014: Rui Costa. Wagner foi ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e chegou a deixar o cargo, em 2016, para que Lula fosse nomeado em seu lugar — o que acabou sendo impedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

