
O governo de Santa Catarina informou neste sábado (27) que irá apresentar uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em razão de declarações feitas durante visita a Itajaí, no Litoral Norte catarinense, na sexta-feira (26).
A decisão foi anunciada pelo governador Jorginho Mello (PL). Segundo o governo estadual, Lula insinuou em seu discurso que os catarinenses seriam racistas, se considerariam superiores a moradores de outros estados e fez referência a Adolf Hitler. Para o governador, a fala extrapolou os limites do debate político e atingiu a honra da população do estado.
“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, afirmou Jorginho Mello.
O presidente esteve em Santa Catarina para o lançamento da Fragata Cunha Moreira (F202), no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí. Durante o evento, Lula declarou:
“Está chegando o momento de a onça beber água. Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo [...]. A gente tem um estado brasileiro e todo mundo tem que ser tratado igual, todo mundo. Não tem essa de um cara que é branco ser melhor do que o que é negro, ou o cara que é nordestino ser pior do que o do Sul do país. Que história é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou…”.
Na nota oficial, o governador também destacou que Santa Catarina foi o estado que mais recebeu migrantes de outras unidades da federação nos últimos dez anos, com mais de 500 mil novos moradores, conforme dados citados pelo governo estadual.
“Só o fato de Santa Catarina ser o estado que mais acolhe brasileiros de outras regiões já desmonta essa fala criminosa do presidente Lula. Se aqui fosse esse lugar de preconceito que ele tentou pintar, por que tanta gente escolheria Santa Catarina para viver, trabalhar, criar seus filhos e fugir da violência e da desigualdade?”, questionou.
O governo de Santa Catarina afirma ainda que considera as declarações do presidente discriminatórias contra o estado e os catarinenses e, por esse motivo, decidiu adotar medidas jurídicas junto às instituições competentes.

