
Santa Catarina passou a ocupar a primeira posição entre os estados brasileiros com a menor taxa de mortes violentas intencionais em 2025. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24), o estado registrou 7,6 mortes por 100 mil habitantes, ultrapassando São Paulo, que apresentou índice de 7,8.
É a primeira vez desde 2014 que São Paulo deixa a liderança desse indicador.
Queda nos índices de violência
Os dados mostram que Santa Catarina reduziu sua taxa de mortes violentas intencionais de 8,6 para 7,6 por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025. No mesmo período, São Paulo passou de 8,2 para 7,8.O levantamento também aponta que o Brasil registrou a menor taxa de mortes violentas desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciada em 2012. O índice nacional ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes, sendo a primeira vez que o país fica abaixo da marca de 20.
O que explica o desempenho de Santa CatarinaSegundo o gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, fatores como o porte territorial do estado e a continuidade de políticas públicas voltadas à segurança ajudam a explicar o resultado.
De acordo com o especialista, Santa Catarina e São Paulo tradicionalmente figuram entre os estados menos violentos do país, e o modelo catarinense pode servir de referência para outras unidades da federação.Estados com maiores índices
Na outra ponta do ranking, o Amapá permaneceu como o estado mais violento do país pelo segundo ano consecutivo, com 42,5 mortes violentas por 100 mil habitantes.Na sequência aparecem:
- Bahia: 36,8 mortes por 100 mil habitantes;
- Ceará: 34,7 mortes por 100 mil habitantes.
Ao todo, 19 estados e o Distrito Federal registraram redução nas taxas de mortes violentas em 2025, enquanto sete estados apresentaram aumento.
Outros dados do Anuário
Apesar da redução das mortes violentas, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento em outros indicadores de violência.
Entre os destaques estão:
- recorde de feminicídios, com média de quatro mulheres assassinadas por dia;- aumento dos casos de violência psicológica contra mulheres;
- crescimento dos registros de perseguição (stalking);
- mais casos de descumprimento de medidas protetivas;
- aumento na produção e no compartilhamento de material de abuso sexual infantil;
- crescimento expressivo dos casos de bullying e cyberbullying entre adolescentes.
O estudo também mostra que o sistema prisional brasileiro chegou a cerca de 964 mil pessoas privadas de liberdade e projeta que o país poderá ultrapassar a marca de um milhão de presos até 2027, caso a tendência atual seja mantida.

