POLÍTICA - 31/07/2026 09:23 (atualizado em 31/07/2026 09:33)

Lula fica desconcertado em podcast ao ser questionado sobre sigilo de 100 anos: ‘Fez igual ao Bolsonaro’

Presidente foi cobrado sobre prática que criticou no governo Bolsonaro, respondeu que é contra esse tipo de sigilo e atribuiu as decisões a órgãos da administração
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Lula fica desconcertado em podcast ao ser questionado por Rogério Vilela sobre os sigilos de 100 anos mantidos pelo governo Foto: Inteligência Ltda/YouTube

O presidente Lula (PT) ficou desconcertado durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., nesta quinta-feira (30), ao ser cobrado sobre a manutenção de sigilos de 100 anos em seu governo.

Cobrado pelo apresentador Rogério Vilela sobre a promessa de campanha de acabar com a prática criticada na gestão de Jair Bolsonaro (PL), o petista não respondeu diretamente e tentou se justificar.

Ao lembrar a promessa feita pelo petista, Vilela afirmou:

“Eu lembro em um debate você falando que a primeira coisa que iria fazer é derrubar o sigilo de 100 anos do Bolsonaro. Aí o senhor vem e faz a mesma coisa. Muita gente ficou decepcionada. Qual a explicação de colocar sigilo em tudo?”

Após a pergunta, Lula não respondeu de forma direta ao questionamento. O trecho viralizou nas redes sociais.

O que Lula respondeu sobre o sigilo de 100 anos

Na sequência, o presidente afirmou ser contrário ao uso de sigilos longos e disse que a intenção do governo era alterar a legislação.

“Primeiro, eu sou radicalmente contra sigilo de 100 anos. Eu estou radicalmente contra sigilo de 20 anos. Eu acho que deve ser sigilo só para coisa de Estado, coisa de segurança nacional. A primeira coisa que nós tentamos fazer era mudar a lei. Mas não é simples de mudar”, disse.

Quando Vilela insistiu perguntando por que o governo continua aplicando sigilos, Lula respondeu que esse tipo de decisão não passa diretamente pela Presidência.

“Isso nem chega na Presidência. Você tem órgão de governo que apura essas coisas.”

O apresentador voltou a questionar se o presidente não poderia determinar maior transparência. Lula respondeu que, nos casos que não envolvam segurança nacional ou proteção de menores, pretende analisar pessoalmente os pedidos

“Se alguém disser que tem sigilo de 50 anos, de 20 anos ou de 30 anos, se não for uma coisa que envolva menor ou segurança nacional, pergunta para mim que eu vou lhe dizer.”

Caso envolvendo Daniel Vorcaro motivou novo debate

A discussão ocorre após o governo impor sigilo de 100 anos sobre a lista de visitantes de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante o período em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O pedido foi apresentado pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A solicitação foi negada pela Polícia Federal e, posteriormente, o recurso também foi rejeitado pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

Os registros solicitados incluem nomes, CPF, datas, horários e grau de parentesco dos visitantes. Em nota, a Polícia Federal justificou que os dados envolvem informações pessoais sensíveis.

“Caracterizam-se como informações pessoais sensíveis à esfera privada tanto do visitante quanto do detento.”

Segundo a corporação, a divulgação poderia afetar direitos relacionados à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas. Também foi negado o envio da lista com os dados pessoais protegidos por tarjas.

Governo Lula também nega pedidos pela Lei de Acesso à Informação

Embora Lula tenha reiterado no podcast que é contra o uso indiscriminado de sigilos, o governo também passou a negar pedidos apresentados com base na Lei de Acesso à Informação.

Levantamento publicado pelo Estadão aponta que, em 2023, foram 1.339 pedidos negados, número próximo aos 1.332 registros do último ano do governo Bolsonaro.

Entre os casos estão solicitações envolvendo a agenda da primeira-dama Janja, comunicações diplomáticas relacionadas ao ex-jogador Robinho e informações sobre militares responsáveis pela segurança do Palácio do Planalto durante os atos de 8 de janeiro.

A CGU (Controladoria-Geral da União) afirma que as negativas ocorrem para proteger dados pessoais e ressalta que os pedidos ainda podem ser revistos nas instâncias administrativas previstas pela Lei de Acesso à Informação.


Fonte: ND+
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