A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 14 de julho e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida integra a estratégia do Governo Federal para reduzir a dependência da importação de gasolina, ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.
A expectativa é reduzir a necessidade de importação em cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.
O que muda para os motoristas?
Para a maioria dos veículos fabricados no Brasil, especialmente os modelos flex e os automóveis mais modernos, a mudança não deve provocar alterações significativas no funcionamento do motor.
Antes da aprovação, a nova mistura passou por testes técnicos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, envolvendo veículos flex e modelos movidos exclusivamente a gasolina.
No entanto, especialistas apontam que pode haver um pequeno aumento no consumo de combustível, já que o etanol possui menor poder energético em comparação à gasolina. Isso significa que, para gerar a mesma quantidade de energia, o motor pode consumir um volume ligeiramente maior de combustível.
Por outro lado, o etanol possui maior octanagem, característica que contribui para reduzir a ocorrência de detonação no motor e pode favorecer o desempenho de veículos equipados com sistemas eletrônicos mais modernos.
Veículos antigos exigem atenção
Os principais cuidados são voltados aos veículos mais antigos e a alguns modelos importados desenvolvidos para mercados onde a gasolina possui menor concentração de etanol.
Nesses casos, componentes como mangueiras, juntas e peças de borracha podem sofrer desgaste mais acelerado caso não tenham sido projetados para trabalhar com altos percentuais do biocombustível.
Especialistas recomendam que proprietários desses veículos mantenham a manutenção preventiva em dia e utilizem combustíveis de qualidade, conforme as especificações do fabricante.
Mudança faz parte da Lei do Combustível do Futuro
A adoção da gasolina E32 foi possível após a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que ampliou o limite permitido para a mistura obrigatória de etanol na gasolina, passando da faixa entre 22% e 27% para um intervalo entre 22% e 35%.
O governo informou ainda que continua avaliando, por meio do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, a possibilidade de elevar futuramente a mistura para 35% de etanol (E35), medida que dependerá de novos estudos técnicos antes de eventual implementação.
Enquanto isso, montadoras que atuam no mercado brasileiro já desenvolvem veículos preparados para concentrações ainda maiores de etanol, principalmente nos segmentos de modelos híbridos e flex.

