Luto no RS - 02/08/2026 21:36 (atualizado em 02/08/2026 22:02)

Morre aos 86 anos Bagre Fagundes, um dos grandes nomes da cultura gaúcha

Coautor do clássico “Canto Alegretense” e integrante do grupo Os Fagundes, artista estava internado desde maio após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
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Bagre Fagundes, que morreu aos 86 anos, foi um dos grandes nomes da cultura gaúcha. Mateus Bruxel / Agencia RBS

Euclides Fagundes Filho, conhecido como Bagre Fagundes, morreu neste domingo (2), aos 86 anos, em Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo filho do artista, Ernesto Fagundes.

Um dos grandes nomes da cultura e da música tradicionalista do Rio Grande do Sul, Bagre estava internado desde maio no Hospital Ernesto Dornelles, na Capital. Na ocasião, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória após se engasgar durante o almoço, em casa.

Legado na música gaúcha

Bagre Fagundes integrou o grupo Os Fagundes, formado por artistas da família, e construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura e das tradições do Rio Grande do Sul.

Ao lado do irmão Antônio Augusto Fagundes, o Nico Fagundes, falecido em 2015, foi coautor de “Canto Alegretense”, uma das músicas mais conhecidas e representativas da cultura gaúcha.

A canção, que exalta as raízes de Alegrete e do povo gaúcho, tornou-se um dos símbolos da música tradicionalista e é considerada um hino não oficial do Rio Grande do Sul.

Bagre também participou da composição de outras obras ao lado do irmão, entre elas “Origens”, música que marcou a abertura do programa Galpão Crioulo, da RBS TV, durante quase quatro décadas.

Música desde cedo

Nascido em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, Bagre Fagundes cresceu em Alegrete ao lado de seis irmãos e cinco irmãs.

Sua carreira musical começou ainda jovem, em uma rádio de São Borja. Ao longo das décadas, percorreu diferentes regiões do Estado levando a música tradicionalista e a cultura gaúcha, quase sempre acompanhado de sua inseparável gaita de quatro baixos.

Entre as décadas de 1970 e 1980, integrou o grupo Os Angüeras. Mais tarde, formou o Grupo Inhanduy, ao lado dos filhos Ernesto e Neto Fagundes.

O trio participou de importantes festivais de música nativista e conquistou premiações em eventos como a Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana e a Ronda da Canção Nativa de Alegrete.

O trabalho em família acabou dando origem ao grupo Os Fagundes, fundado em 2001. A formação também contou com Nico Fagundes e, posteriormente, com Paulinho Fagundes.

“Canto Alegretense” virou símbolo do Estado

A parceria com Nico resultou em uma das músicas mais importantes da história da música gaúcha.

“Canto Alegretense” ganhou projeção nacional e se tornou um verdadeiro símbolo da identidade cultural do Rio Grande do Sul. A obra é conhecida por retratar as raízes e o sentimento de pertencimento à terra natal.

Em entrevista concedida em 2024, Bagre relembrou a importância da composição e afirmou que acreditava, desde o início, que a música se tornaria um clássico.

Família e música

Bagre Fagundes foi casado durante mais de seis décadas com Marlene Vilaverde. O casal teve quatro filhos: Euclides, conhecido como Neto Fagundes, Ernesto, Luciana e Paulinho.

A relação entre pai e filhos também foi marcada pela música. Uma das canções que representa esse vínculo é “De Filho para Pai”, composta por Ernesto Fagundes e Vaine Darde.

Ao longo da carreira, Bagre dividiu palcos com os filhos e ajudou a consolidar uma das famílias mais conhecidas da música tradicionalista gaúcha.

Em 2025, Os Fagundes realizaram um show no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, em homenagem a Bagre. Na ocasião, Ernesto destacou a importância do pai na formação musical e cultural da família.

Despedida

Com uma trajetória dedicada à música, à família e à preservação das tradições do Rio Grande do Sul, Bagre Fagundes deixa um importante legado para a cultura gaúcha.

Além da obra construída ao longo de décadas, seu nome permanece ligado a “Canto Alegretense”, composição que ultrapassou gerações e se tornou uma das principais referências da identidade musical do Estado.
Bagre deixa a esposa, Marlene, os quatro filhos e uma legião de admiradores que acompanharam sua trajetória na música tradicionalista.

Fonte: Gaucha / ZH
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