
Nove em cada dez pedidos feitos por vítimas para tentar recuperar dinheiro perdido em golpes envolvendo o Pix foram recusados nos quatro primeiros meses de 2026. O levantamento, realizado pelo SBT com base em dados de fraudes divulgados pelo Banco Central, aponta uma taxa de negativa de 90,3%.
Entre janeiro e abril, foram registrados 11,8 milhões de pedidos de devolução, dos quais 10,7 milhões acabaram negados pelas instituições financeiras.
Nos casos aceitos, R$ 264,7 milhões foram devolvidos integralmente às vítimas, montante que corresponde a cerca de 10% do valor reconhecido no período.
Os números até abril são os dados mais recentes disponíveis. Apesar da previsão de divulgação das estatísticas após o encerramento de cada mês, os dados referentes a maio e aos meses seguintes ainda não estavam disponíveis.
Como tentar recuperar dinheiro perdido em golpe
O Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para possibilitar a tentativa de recuperação de recursos transferidos pelo Pix em situações envolvendo suspeita de fraude, golpe, crime ou falha operacional.
A vítima deve procurar a instituição financeira onde possui conta e registrar a reclamação em até 80 dias após a transação.
Após a notificação, a instituição que recebeu o dinheiro realiza o bloqueio cautelar dos recursos que ainda estiverem disponíveis na conta de destino. As instituições envolvidas têm até sete dias corridos para analisar o caso.
Se a fraude for confirmada, o dinheiro poderá ser devolvido caso ainda exista saldo disponível. Quando o valor integral não está mais na conta, podem ocorrer devoluções parciais, inclusive se novos recursos entrarem dentro do período previsto pelas regras.
A decisão sobre aceitar ou rejeitar o pedido cabe às instituições financeiras envolvidas, e não diretamente ao Banco Central.
Pix é utilizado em diferentes modalidades de golpes
O chamado “golpe do Pix” não representa apenas uma modalidade de crime. O termo engloba diferentes fraudes nas quais o sistema de pagamentos instantâneos é utilizado para movimentar rapidamente o dinheiro obtido das vítimas.
Entre as práticas mais comuns estão falsas centrais bancárias, criminosos se passando por conhecidos, vendas inexistentes, comprovantes adulterados, alteração de QR Codes ou chaves Pix e falsas oportunidades de investimento.
Em grande parte dos casos, portanto, o Pix funciona apenas como meio para transferência do dinheiro. O golpe começa anteriormente, por meio de técnicas como engenharia social, invasão de contas ou falsificação de identidade.
Estelionatos ultrapassaram 2,2 milhões em 2025
Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam 2.261.055 registros de estelionato no Brasil em 2025, crescimento de 429,8% na comparação com 2018.
O levantamento também estima que 15,8% da população brasileira com mais de 16 anos, equivalente a aproximadamente 26,3 milhões de pessoas, tenha sido vítima de algum tipo de golpe no período analisado.
Além disso, 83,2% dos brasileiros afirmam ter medo de serem vítimas de fraudes praticadas pela internet ou pelo celular.
Segundo o Anuário, os golpes digitais também passaram a apresentar estruturas cada vez mais organizadas, com divisão de tarefas e atuação em escala, aumentando o desafio para autoridades e instituições financeiras no combate a esse tipo de crime.

