30 de agosto - 30/08/2026 11:09

Esclerose Múltipla: informação ajuda a combater estigmas que cercam esta condição rara

A médica neurologista Dra. Nayara de Paula Guerreiro explica como a doença age no organismo e cita a importância do diagnóstico precoce
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Imagem ilustrativa. Foto: Freepik

Este domingo (30), é conhecido como o Dia Nacional da Conscientização da Esclerose Múltipla, uma doença rara que, segundo estimativa do Ministério da Saúde, afeta 40 mil pessoas no Brasil. Em Maravilha, dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que quatro pessoas receberam o diagnóstico no município.

Mas, afinal, o que é a esclerose múltipla e qual a importância de um dia de conscientização? A doença ainda é cercada por muitos estigmas. Por isso, o acesso à informação contribui para um olhar mais empático e para a luta pelos direitos das pessoas acometidas pela doença.

A médica neurologista Dra. Nayara de Paula Guerreiro explica que a esclerose múltipla é uma doença inflamatória, autoimune e crônica que acomete o sistema nervoso central, formado pelo cérebro, pela medula espinhal e pelos nervos ópticos. “De forma simplificada, o sistema imunológico, que normalmente protege o organismo, passa a atacar por engano a mielina, uma camada que reveste as fibras nervosas e funciona como um ‘isolante’ que permite a transmissão rápida e eficiente dos impulsos nervosos. Quando essa mielina é lesionada, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo fica prejudicada, podendo causar sintomas variados”, descreve. 

A esclerose múltipla não tem cura, porém, tratamentos podem ajudar a controlar a atividade inflamatória e retardar a progressão da doença. A neurologista explica que ainda não se conhece uma causa única da doença: “Acredita-se que a doença resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais”

Sintomas 

As pessoas nessa condição podem apresentar sintomas variados. “Isso acontece porque as lesões podem surgir em diferentes regiões do sistema nervoso central. Dependendo da localização dessas lesões, cada pessoa apresentará sintomas distintos. Além disso, a intensidade da inflamação, a resposta ao tratamento e a velocidade de progressão também variam entre os pacientes. Por isso, não existem duas pessoas com esclerose múltipla exatamente iguais”, contextualiza a Dra Nayara. Entre os principais sintomas, a especialista cita:

● Alterações da visão, como visão embaçada, visão dupla ou perda visual em um dos olhos; 
● Dormência ou formigamentos; 
● Fraqueza em braços ou pernas; 
● Dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio; 
● Tontura; 
● Fadiga intensa e persistente; 
● Espasticidade (rigidez muscular); 
● Alterações urinárias; 
● Alterações cognitivas, como dificuldade de memória ou concentração. 

Diagnóstico

A neurologista explica que o diagnóstico é realizado por meio da combinação da história clínica, do exame neurológico e de exames complementares. A ressonância magnética do cérebro e da medula são exames que permitem identificar lesões características da doença. Já a análise do líquor e exames laboratoriais também são importantes para complementar a investigação e excluir outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes. “Não existe um exame único que confirme a doença; o diagnóstico depende da análise conjunta de todas essas informações”, frisa.

Outro ponto destacado pela médica é de que, graças aos avanços dos tratamentos, muitas pessoas conseguem estudar, trabalhar, praticar atividade física, constituir família e manter uma vida ativa. Cita ainda que um mito muito comum é acreditar que toda pessoa com esclerose múltipla inevitavelmente ficará em cadeira de rodas. Outro equívoco é imaginar que a doença afeta apenas idosos, quando na verdade ela costuma surgir entre os 20 e os 40 anos. Lembra, ainda, que muitos sintomas são invisíveis, como fadiga, dor e dificuldades cognitivas. 

“Hoje temos diagnóstico mais preciso e tratamentos cada vez mais eficazes. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar sua atividade e preservar a qualidade de vida. Por isso, diante de sintomas neurológicos persistentes, especialmente alterações visuais, fraqueza, dormências ou problemas de equilíbrio, procure avaliação médica. Informação, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento fazem toda a diferença”, finaliza. 

Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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