
Líderes da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobraram nesta quarta-feira (2) “isonomia e transparência” do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
As manifestações ocorreram um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, passar a figurar em uma das linhas de investigação envolvendo Vorcaro.
Durante entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, parlamentares da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciaram o envio de uma petição ao presidente do Supremo, Edson Fachin, solicitando a abertura do sigilo de toda a investigação e o avanço de outras frentes relacionadas ao Banco Master.
Entre os pedidos apresentados está também a retirada da relatoria das mãos de André Mendonça.
Parlamentares cobram investigação sobre financiamento de filme
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) afirmou que uma das linhas que deveria ser aprofundada envolve o financiamento do filme “Dark Horse” e a participação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na busca de recursos para a produção.
Uczai citou informações publicadas pela revista Piauí segundo as quais Vorcaro teria repassado ao menos US$ 12,3 milhões para o projeto cinematográfico.
De acordo com a publicação, os pagamentos teriam sido identificados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e destinados ao Havengate Development Fund, fundo norte-americano que administrava recursos direcionados ao filme.
Para Uczai, os elementos já conhecidos justificariam o aprofundamento das investigações sobre a origem e o destino dos valores.
Deputada questiona ausência de quebra de sigilo
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também questionou a condução das apurações e perguntou por que, até o momento, Mendonça não teria determinado a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Flávio Bolsonaro.
O senador já reconheceu publicamente que intermediou o contato com Daniel Vorcaro na busca de financiamento para o projeto, mas nega qualquer irregularidade.
Flávio sustenta que não houve ilegalidade na tentativa de obter patrocínio privado e afirma que a responsabilidade pelas contas relacionadas ao filme cabe à produtora Go Up Entertainment.
Jandira defendeu que as circunstâncias da relação entre o projeto e os recursos ligados a Vorcaro sejam esclarecidas antes das eleições presidenciais.
Governistas querem fim do sigilo de toda a investigação
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reforçou o pedido para que a investigação relacionada ao Banco Master deixe de tramitar integralmente sob sigilo.
Segundo ele, a divulgação de informações de maneira parcial poderia gerar questionamentos sobre eventual impacto das investigações no processo eleitoral.
Lindbergh afirmou ainda que o PT defenderá a apuração dos fatos independentemente de quem seja citado.
O parlamentar mencionou, inclusive, o senador Jaques Wagner (PT-BA), cujo nome teria aparecido nas investigações relacionado a supostas vantagens para atuar em favor de interesses de Vorcaro no Senado.
As eventuais responsabilidades dos citados ainda dependem do avanço das investigações e da análise das autoridades competentes.
Caso ganha repercussão no STF e no Congresso
A pressão dos parlamentares ocorre em meio ao aumento da repercussão política das investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Além das linhas que envolvem políticos, informações reveladas nos últimos dias também colocaram o ministro Alexandre de Moraes no centro de questionamentos relacionados ao caso.
Diante da repercussão, os governistas defendem que os mesmos critérios sejam aplicados a todos os personagens eventualmente citados nas apurações.
O pedido apresentado ao presidente do STF busca, além da retirada do sigilo, mudanças na condução das investigações atualmente sob responsabilidade de André Mendonça.
Até o momento, os questionamentos apresentados pelos parlamentares não significam comprovação de irregularidades por parte das pessoas citadas. As responsabilidades individuais deverão ser determinadas a partir das investigações e de eventuais decisões judiciais.

