O El Niño deve ganhar ainda mais força nos próximos meses e atingir seu pico entre outubro e dezembro de 2026, segundo uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o órgão, o fenômeno já está “firmemente estabelecido” e poderá alcançar uma intensidade classificada como “muito forte”.
As projeções indicam ainda que a possibilidade de o El Niño permanecer ativo até fevereiro de 2027 é próxima de 100%. Para o final deste ano, a chance de retorno para uma condição de neutralidade é considerada praticamente nula. Também não há, neste momento, sinais de retorno do La Niña.
A permanência e o fortalecimento do fenômeno mantêm elevados os riscos de secas, chuvas intensas, inundações e ondas de calor extremo em diferentes partes do mundo, com impactos que podem se prolongar ao longo de 2027.
Temperaturas do Pacífico continuam subindo
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre, em média, a cada dois a sete anos e pode permanecer ativo durante vários meses.
Ele está associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando os ventos que normalmente ajudam a movimentar essas águas enfraquecem, a água quente passa a se concentrar em determinadas áreas do oceano.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta. Como consequência, enquanto determinados locais podem registrar volumes elevados de chuva e inundações, outros enfrentam períodos de seca e temperaturas acima da média.
As medições apresentadas pela OMM mostram uma elevação progressiva das temperaturas do Pacífico nos últimos meses.
Em junho, a temperatura estava aproximadamente 1,5°C acima da média. Em julho, a diferença chegou a 2°C e, em agosto, ficou entre 2,2°C e 2,6°C acima dos valores médios.
Calor também está concentrado abaixo da superfície
O aquecimento não ocorre apenas na superfície do oceano. Em determinadas áreas do Pacífico, as águas abaixo da superfície chegaram a registrar temperaturas mais de 8°C acima da média.
Esse grande volume de calor armazenado no oceano é considerado um dos indicadores da intensidade do fenômeno e pode contribuir para que o El Niño permaneça ativo e forte nos próximos meses.
A evolução das temperaturas será acompanhada pelos organismos meteorológicos, especialmente diante da possibilidade de o fenômeno continuar influenciando o clima global durante os primeiros meses de 2027.
ONU alerta para aumento dos eventos extremos
O cenário também levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a fazer um alerta sobre os riscos associados ao aumento das temperaturas e aos eventos climáticos extremos.
“A ciência não deixa espaço para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão esquentando”, declarou.
Guterres afirmou ainda que o mundo está se transformando em uma “zona de perigo do tempo extremo” e defendeu maior preparação para reduzir os impactos desses eventos sobre a população.
“Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar”, afirmou.
Com a perspectiva de fortalecimento do El Niño até o fim de 2026 e sua possível continuidade em 2027, a recomendação é de acompanhamento constante das previsões e alertas emitidos pelos órgãos meteorológicos e de proteção e defesa civil.

