Oito Ocorrências - 15/09/2026 13:10

Município do Oeste está entre as cidades com mais registros de tornados no Brasil

Xanxerê contabiliza oito ocorrências entre 2018 e agosto de 2026 e aparece na quinta posição de levantamento que reúne 524 registros no país
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Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, está entre os municípios brasileiros com maior número de registros de tornados nos últimos nove anos. A cidade aparece na quinta posição de um levantamento divulgado pelo g1, com oito ocorrências identificadas entre 2018 e agosto de 2026.

O levantamento foi elaborado a partir de dados do Prevots e reúne 524 registros de tornados no Brasil durante o período analisado.

Xanxerê aparece empatada com Horizontina (RS) e Ananindeua (PA), que também contabilizam oito ocorrências. No topo estão Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, e Dourados, no Mato Grosso do Sul, com nove registros cada.

Veja as cidades com mais registros

O ranking apresentado no levantamento é o seguinte:

Sarandi (RS) – 9;
Guaíba (RS) – 9;
Dourados (MS) – 9;
Horizontina (RS) – 8;
Xanxerê (SC) – 8;
Ananindeua (PA) – 8;
Corbélia (PR) – 7;
Cerqueira César (SP) – 7;
Salvador (BA) – 7;
Guarapuava (PR) – 6.

Os dados são do Prevots, projeto que reúne pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Atualmente, o Brasil não possui um banco de dados oficial específico que concentre todos os registros de tornados ocorridos no território nacional.

Sul concentra 43% dos registros

Os números mostram uma concentração significativa desses fenômenos na Região Sul. Dos 524 registros contabilizados desde 2018, 227 ocorreram em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o equivalente a aproximadamente 43% do total nacional.

O Rio Grande do Sul lidera entre os três estados, com 93 registros, seguido pelo Paraná, com 81, e Santa Catarina, com 53.

Outro dado que chama atenção é a relação com as chamadas supercélulas. Segundo o levantamento, 51% dos tornados registrados na Região Sul foram associados a esse tipo de tempestade, caracterizada pela presença de rotação organizada e capaz de produzir fenômenos meteorológicos severos.

Por que o Sul registra tantos tornados?

A maior frequência está relacionada à combinação de condições atmosféricas comuns na região.

De um lado, ocorre o transporte de calor e umidade provenientes da região amazônica. De outro, massas de ar frio e seco avançam principalmente a partir da Argentina.

O encontro de massas de ar com características diferentes, associado ao chamado cisalhamento do vento — mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude —, pode criar condições favoráveis ao desenvolvimento de tempestades rotativas.

Essa combinação ajuda a explicar a recorrência de fenômenos severos no Oeste de Santa Catarina.

Campo Erê teve tornado recentemente

A região voltou a registrar um episódio significativo no fim de agosto, quando um tornado atingiu Campo Erê, no Extremo-Oeste catarinense.

O fenômeno provocou danos em imóveis, estruturas e vegetação e teve sua ocorrência posteriormente confirmada a partir de análises meteorológicas e dos estragos observados em solo.

O caso de Campo Erê reforçou a atenção para a ocorrência de tempestades severas na região, especialmente em períodos nos quais a atmosfera apresenta grande disponibilidade de calor e umidade combinada com fortes mudanças no comportamento dos ventos.

Nem todos os tornados têm a mesma intensidade

Apesar dos 524 registros contabilizados, os fenômenos apresentam características e intensidades bastante diferentes.

Segundo os dados do Prevots, foram identificados:

304 tornados associados a trombas d’água ou terrestres;

78 associados a linhas de instabilidade;

142 associados a supercélulas.

As supercélulas representam uma parcela menor do total, mas são estruturas meteorológicas capazes de produzir tornados mais intensos e duradouros.

Como os registros são confirmados?

O banco de dados do Prevots utiliza diferentes fontes para identificar possíveis tornados. Os pesquisadores acompanham relatos de moradores, notícias, vídeos e publicações em redes sociais e posteriormente analisam outras evidências.

Imagens de satélite, por exemplo, podem revelar marcas deixadas sobre a vegetação e ajudar a identificar uma trajetória compatível com a passagem de um tornado.

Esse tipo de análise é especialmente importante porque muitos episódios ocorrem rapidamente e atingem áreas rurais, onde nem sempre existem equipamentos meteorológicos próximos.

É possível prever onde um tornado vai ocorrer?

Os meteorologistas conseguem antecipar a existência de condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas e tornados. A dificuldade está em determinar com antecedência exatamente onde e em qual horário o fenômeno atingirá o solo.

Tornados costumam ter dimensões relativamente pequenas e curta duração quando comparados a outros sistemas meteorológicos. Por isso, mesmo diante de um cenário de elevado risco, não é possível apontar com muitas horas de antecedência o local exato que poderá ser atingido.

Nessas situações, alertas meteorológicos e o acompanhamento das condições do tempo em tempo real tornam-se fundamentais.

Com oito registros desde 2018, Xanxerê aparece em posição de destaque no levantamento nacional e reforça a presença do Oeste catarinense no mapa brasileiro dos fenômenos meteorológicos severos. Os números, entretanto, não significam que todas as ocorrências registradas no município tenham apresentado a mesma intensidade ou provocado o mesmo nível de danos.

Fonte: WH3 com NSC
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