
Localizada em uma região considerada favorável à ocorrência de tempestades severas, Xanxerê aparece com oito registros de tornados em um levantamento meteorológico nacional. Apesar disso, apenas três ocorrências estão oficialmente classificadas como tornado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
A diferença entre os números está relacionada aos critérios utilizados. Conforme a Defesa Civil de Xanxerê, o S2iD possui finalidade administrativa e reúne os desastres oficialmente informados e registrados no sistema de proteção e defesa civil.
Já levantamentos meteorológicos podem reavaliar episódios posteriormente, utilizando informações de radares, imagens, registros dos danos e outras análises técnicas. Dessa forma, um fenômeno pode constar em uma base meteorológica como tornado sem possuir a mesma classificação no histórico oficial.
Três tornados constam no histórico oficial
Segundo os dados apresentados, os tornados oficialmente registrados em Xanxerê ocorreram em 27 de outubro de 1989, 20 de abril de 2015 e 7 de novembro de 2025.
O episódio de 20 de abril de 2015 foi o mais destrutivo. Conforme a Defesa Civil, seis pessoas morreram, 97 ficaram feridas, 539 ficaram desabrigadas e 4.275 foram desalojadas.
Ao todo, 2.188 edificações foram diretamente atingidas, incluindo 245 residências totalmente destruídas e 360 parcialmente destruídas. Os prejuízos econômicos foram estimados em aproximadamente R$ 104,5 milhões.
Já o tornado de novembro de 2025 demonstra como a classificação pode ocorrer após análises posteriores. Inicialmente, os danos foram associados a ventos fortes, granizo e quedas de árvores. Depois, análises de radar e levantamentos realizados em campo confirmaram a passagem de um tornado.
Oeste de SC está em área de tempestades severas
Segundo o meteorologista Piter Scheuer, Xanxerê integra uma área com histórico de tempestades severas que também inclui municípios como Guatambu, Caxambu do Sul, Chapecó, Xaxim e parte dos Campos de Palmas.
Outra faixa apontada pelo meteorologista se estende por São Miguel do Oeste, Guaraciaba e Maravilha até o Oeste do Paraná.
Entre os fatores que podem favorecer tempestades capazes de produzir tornados estão a presença de calor e umidade, sistemas frontais, áreas de baixa pressão e cisalhamento vertical do vento, quando há mudanças na velocidade ou direção dos ventos conforme a altitude.
Apesar dos registros, a Defesa Civil afirma que não há dados suficientes para concluir que os tornados estejam ficando mais frequentes ou intensos em Xanxerê. A evolução dos radares, câmeras, drones e demais tecnologias também aumentou a capacidade de identificar fenômenos que anteriormente poderiam ter sido registrados apenas como vendavais.
Tornado nem sempre pode ser previsto com antecedência
A Defesa Civil monitora as condições meteorológicas utilizando modelos de previsão, satélites, radares e informações de 172 estações hidrometeorológicas.
É possível identificar com horas ou dias de antecedência um ambiente favorável à formação de tempestades severas. Entretanto, quando existe potencial para tornado, o tempo entre a identificação do risco e a ocorrência pode cair para dezenas de minutos ou até poucos minutos.
Além disso, não é possível determinar antecipadamente e com precisão o ponto ou bairro onde um tornado poderá tocar o solo.
Diante de um alerta de tempestade severa com possibilidade de tornado, a recomendação é procurar imediatamente um local protegido, preferencialmente um cômodo interno e distante de janelas e portas de vidro, além de proteger a cabeça e o pescoço.
A orientação também é evitar sair para registrar imagens durante a tempestade ou imediatamente após sua passagem, devido ao risco representado por fios elétricos caídos, árvores instáveis, postes, estruturas danificadas e objetos lançados pelo vento.

