
Conhecida como a estação das flores, a primavera colore Santa Catarina, mas também acende um alerta. O mesmo vento que espalha o pólen e faz da estação a mais florida do ano, quando ganha força, pode provocar ocorrências no estado. A primavera começou nesta terça-feira (22), às 21h05, e ganhou um olhar atento da Defesa Civil estadual.
O vento é resultado da transição entre o período frio e o mais quente do ano. Segundo a meteorologista, a chegada de massas de ar frio a um ambiente que começa a esquentar cria uma diferença de temperatura e consequentemente de pressão entre as duas condições, chamada de gradiente. É esse contraste que intensifica o vento. Frentes frias e ciclones continuam atuando, mas agora encontram mais calor disponível na atmosfera.
“A primavera tem um aumento significativo da ocorrência de temporais com granizo e ventos fortes, porque as nuvens se desenvolvem mais com maior calor disponível”, explica Francine.

O contraste de temperatura maior também aumenta a possibilidade de tornados e outros eventos associados. No verão, o cenário muda e as ocorrências mais comuns passam a ser as chamadas bombas d’água, que são chuvas muito intensas em curto intervalo de tempo.
O El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera a circulação da atmosfera, deve reforçar as características da primavera em Santa Catarina. A estação é um dos períodos mais chuvosos do estado e, com a influência do fenômeno, o volume de chuva deve ser ainda maior. Para a meteorologista da Defesa Civil, Francine Sacco, esse é mais um fator favorável a temporais intensos e com granizo.
Os efeitos, entretanto, começaram a ser percebidos antes da data oficial. Segundo Francine, a atmosfera costuma dar sinais da nova estação com antecedência, o que acontece todos os anos e não depende só do El Niño. “A gente sempre nota que o clima se modifica um pouquinho antes dos solstícios e dos equinócios”, afirma.
Equinócio ocorre quando os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador e iluminam os dois hemisférios de forma igual. Por isso, dia e noite têm a mesma duração, de 12 horas cada. O fenômeno marca o início da primavera e do outono. Depois disso, os dias ficam maiores e as noites menores, até o dia mais longo do ano, que ocorre no começo do verão, em 21 de dezembro, que é o solstício.
Neste ano, o que mais preocupa é a repetição dos eventos em intervalos cada vez menores de tempo seco. Com o solo já úmido e sem tempo suficiente para escoar a água da chuva, cresce a possibilidade de impactos maiores, principalmente na hidrologia, com enxurradas e inundações, e na geologia, com deslizamentos de terra. Por isso, a Defesa Civil de Santa Catarina segue acompanhando as condições meteorológicas ao longo de toda a estação e emitindo alertas sempre que há risco à população.

