ECONOMIA - 24/09/2026 14:10

Governo acomoda reajuste do Bolsa Família no orçamento deste ano e eleva estimativa de rombo fiscal

Área econômica também elevou de R$ 52 bilhões para R$ 81 bilhões a projeção de rombo nas contas do governo em 2026. Cálculo do Ministério do Planejamento também considera a liberação de R$ 1,9 bilhão para gastos de ministérios neste ano.
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Bolsa Familia — Foto: Reprodução

O governo federal ajustou o Orçamento de 2026 para acomodar o reajuste do Bolsa Família, anunciado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os novos valores começam a valer em outubro e terão impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas neste ano.

Com a atualização de 15,04%, o valor mínimo garantido por família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subirá dos atuais R$ 675 para aproximadamente R$ 777. Os valores serão considerados na folha de outubro.

As mudanças orçamentárias foram apresentadas nesta quinta-feira (24) pela equipe econômica no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre.

Redução de projeções abriu espaço no Orçamento

Segundo o governo, o espaço para acomodar o aumento do Bolsa Família foi obtido a partir da revisão para baixo das projeções de algumas despesas obrigatórias, entre elas gastos previdenciários, Benefício de Prestação Continuada (BPC), pessoal e subsídios.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a mudança não representa corte nos benefícios obrigatórios, mas uma revisão das estimativas de despesas previstas para o ano.

No relatório anterior, referente ao terceiro bimestre, o governo já havia reduzido as projeções de despesas obrigatórias, movimento que permitiu diminuir o bloqueio orçamentário naquele momento.

Projeção de déficit sobe para R$ 80,9 bilhões

Com a atualização das projeções de receitas e despesas, a equipe econômica elevou a estimativa de déficit primário do governo de R$ 52 bilhões, equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB), para R$ 80,9 bilhões, ou 0,59% do PIB.

Com isso, a projeção passou a alcançar o limite previsto para o resultado fiscal de 2026, segundo os números apresentados pela equipe econômica nesta quinta-feira.

Contenção de despesas cai para R$ 16,1 bilhões

O novo relatório também reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões o volume total de despesas que permanecem contidas no Orçamento.

A revisão envolve a liberação de R$ 15,5 bilhões que estavam bloqueados em razão do limite de gastos. Por outro lado, o governo indicou a necessidade de contingenciar R$ 13,6 bilhões para cumprimento da meta fiscal.

Na prática, a diferença representa aproximadamente R$ 1,9 bilhão potencialmente disponível para despesas dos ministérios. Moretti, porém, informou que os recursos não serão liberados imediatamente. A equipe econômica pretende manter uma margem para avaliar demandas dos órgãos federais ao longo dos próximos meses.

Entre os fatores considerados na revisão das contas também estão receitas adicionais associadas à elevação do preço do petróleo.

Fonte: WH3 com G1
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