SETEMBRO LILÁS - 26/09/2026 16:39 (atualizado em 26/09/2026 16:50)

Mês de conscientização da Doença de Alzheimer reforça importância de romper estereótipos

Reportagem especial aborda informações sobre a doença, cuidado e impacto do diagnóstico precoce
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Imagem ilustrativa. Foto: Freepik
O Setembro Lilás é reconhecido como o mês dedicado à conscientização da Doença de Alzheimer. Diante do tema, a médica neurologista Drª. Nayara de Paula Guerreiro destaca como a informação pode contribuir para romper estigmas e promover um olhar com mais empatia para pessoas que convivem nesta condição, bem como seus familiares: “Existe uma pessoa antes de existir uma doença. O cuidado com Alzheimer envolve medicamentos e acompanhamento médico, mas envolve também respeito, acolhimento, autonomia, família e dignidade”, reflete.

Diferença entre Alzheimer e demência
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 57 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com demência e o número de indivíduos diagnosticados com essa condição a cada ano chega a quase 10 milhões. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e estima-se que representa entre 60% e 70% dos casos, de acordo com a OMS. “Portanto, nem toda demência é Alzheimer. Existem outras causas, como a demência vascular, a demência com corpos de Lewy e a demência frontotemporal, entre outras”, contextualiza a neurologista. 

O que acontece no cérebro de uma pessoa que desenvolve Alzheimer e quais funções podem ser afetadas pela doença?

A Drª. Nayara de Paula Guerreiro explica que no Alzheimer ocorre uma degeneração progressiva das células do cérebro e das conexões entre elas. Existem alterações relacionadas principalmente ao acúmulo anormal de proteínas, como beta-amiloide e tau, que participam de uma sequência de eventos que prejudica o funcionamento dos neurônios. Além disso, as regiões relacionadas à formação de novas memórias costumam estar entre as primeiras afetadas, por isso a dificuldade para guardar acontecimentos recentes é tão característica. Contudo, com a progressão da doença, podem surgir alterações de linguagem, orientação, planejamento, julgamento, reconhecimento de pessoas e lugares e, em fases mais avançadas, dificuldades para atividades básicas do cotidiano.

A médica neurologista Drª. Nayara de Paula Guerreiro também realiza atendimentos no Centro Especializado em Saúde de Maravilha. Foto: Arquivo pessoal

Mas a profissional também destaca que nem todo esquecimento é Alzheimer. “O que chama a atenção é uma mudança em relação ao funcionamento habitual daquela pessoa, especialmente quando os esquecimentos se tornam frequentes e começam a se repetir. Por exemplo: fazer várias vezes a mesma pergunta, esquecer conversas recentes, perder compromissos importantes, apresentar dificuldade com contas ou medicamentos, perder-se em locais conhecidos ou ter dificuldade crescente para realizar tarefas que antes eram simples”, exemplifica. Por isso, alerta que alterações progressivas de memória e de outras capacidades cognitivas merecem ser investigadas. “Diagnóstico precoce não significa antecipar uma sentença; significa ganhar tempo para cuidar melhor”.

De acordo com a especialista, embora a doença de Alzheimer seja muito mais frequente após os 65 anos, e sua frequência aumente progressivamente conforme a população envelhece, ela não é uma consequência normal da idade. “Envelhecer pode trazer alguma lentificação para lembrar determinadas informações, mas perder progressivamente a capacidade de realizar atividades do cotidiano não deve ser considerado simplesmente ‘coisa da idade’”, reforça.

Segundo ela, não existe uma estratégia capaz de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá Alzheimer, mas existem medidas associadas a uma melhor saúde cerebral e a menor risco de demência. A atividade física regular é uma das mais importantes, além do controle da pressão arterial, diabetes e colesterol. Outros cuidados como não fumar, evitar consumo excessivo de álcool, manter alimentação equilibrada e ter sono adequado também podem contribuir. Um ponto fundamental é manter o cérebro ativo e socialmente conectado. “Ler, aprender coisas novas, estudar, tocar instrumentos, participar de atividades em grupo, conversar e manter vínculos sociais são formas de estimular diferentes redes cerebrais. Também é importante cuidar da audição e da visão. Quando falamos em prevenção de demência, precisamos entender que cuidar do cérebro começa muito antes da velhice”, exemplifica.

TCC de jornalista de Maravilha traz relato sobre o tema
O livro “Hoje não há lembranças”, foi escrito pela jornalista Caroline Sacardo como seu trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Na obra, a autora apresenta com sensibilidade a vivência familiar diante do Alzheimer, doença que acometeu sua avó, dona Geno (em memória). A obra está disponível em pdf. Quem tiver interesse em realizar a leitura pode entrar em contato com a jornalista através do instagram @caroline.sacardo.
Imagem: Divulgação/Jana Busnello/Líder FM

Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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