AGRONEGÓCIO - 09/10/2026 07:41

Safra de verão projeta alta na produção de milho e soja em SC, mas El Niño preocupa produtores

Oeste catarinense concentra importantes áreas de milho, soja e milho-silagem; previsão de chuva acima da média pode interferir no plantio, manejo e produtividade
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Previsão de chuva acima da média coloca produtores em alerta durante o desenvolvimento das lavouras. Foto: Clima ao Vivo/

A safra de verão 2026/2027 começa com perspectivas de crescimento na produção de algumas das principais culturas agrícolas de Santa Catarina. O cenário, porém, também exige atenção dos produtores diante da influência do El Niño e da possibilidade de períodos com chuva acima da média.

As projeções da Epagri/Cepa apontam aumento na produção estadual de milho e soja. No Oeste, uma das principais regiões agrícolas de Santa Catarina, o comportamento do clima será determinante para confirmar as estimativas ao longo do ciclo.

Segundo a Epagri/Ciram, a previsão de maior volume de chuva, especialmente durante a primavera e o início do verão, pode reduzir as janelas disponíveis para trabalhos nas lavouras, além de favorecer doenças e dificultar algumas etapas do manejo.

Milho deve ocupar mais de 272 mil hectares

A primeira safra de milho deverá ocupar 272.194 hectares em Santa Catarina, crescimento de 2,5% em comparação com o ciclo anterior.

A produção está estimada em 2,59 milhões de toneladas, avanço de 1,7%, enquanto a produtividade média projetada é de 9.517 quilos por hectare.

O Oeste aparece com participação importante. A microrregião de Chapecó concentra 14,9% da área estadual prevista, enquanto Xanxerê responde por 9,6%. Joaçaba lidera, com 18,8%.

O plantio também está avançado. No período considerado pelo levantamento, aproximadamente 45% da área prevista já havia sido semeada, depois que os produtores aproveitaram períodos de tempo firme entre agosto e setembro.

Chapecó e São Miguel do Oeste se destacam no milho-silagem

No cultivo de milho destinado à produção de silagem, a área catarinense deverá crescer 1,5%, alcançando 212.016 hectares.

A produção está projetada em 9,96 milhões de toneladas, apesar da expectativa de redução de 1% na produtividade média.

Chapecó lidera entre as microrregiões catarinenses, concentrando 21,3% da área prevista para milho-silagem. Logo depois aparece São Miguel do Oeste, com 19%, seguido por Concórdia, com 12,8%.

A expansão está relacionada, entre outros fatores, à demanda da atividade leiteira. O plantio também apresenta ritmo acelerado, com cerca de 61% da área estimada já cultivada no momento do levantamento.

Soja pode chegar a quase 3 milhões de toneladas

Para a soja, a expectativa é de pequena redução na área cultivada, mas aumento na produção.

Santa Catarina deverá plantar 756.403 hectares, queda de 0,3% em comparação com a safra anterior.

A produtividade média, entretanto, está projetada em 3.941 quilos por hectare, crescimento de 2,4%.

Com isso, a produção estadual poderá alcançar 2,98 milhões de toneladas de soja, alta de 2,1%.

Canoinhas concentra 22% da área prevista no Estado. No Oeste e Meio-Oeste, Xanxerê responde por 17,4%, enquanto Curitibanos aparece com 17,2%.

Curitibanos aparece entre as regiões catarinenses com maior área destinada ao cultivo de soja. Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais

Rentabilidade da soja pode superar R$ 2 mil por hectare

A produtividade estimada para a soja corresponde a aproximadamente 65,7 sacas de 60 quilos por hectare.

Considerando os preços atuais e um custo operacional médio próximo de R$ 6 mil por hectare, cálculos da Epagri/Cepa indicam que o resultado econômico pode superar R$ 2 mil por hectare.

O analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri/Cepa, Henrique Oldoni, ressalta, porém, que a projeção ainda é inicial.

“(...) ainda estamos no início da safra e tanto a produtividade quanto os preços podem sofrer alterações ao longo do ciclo”, explica.

A rentabilidade efetiva dependerá do rendimento das lavouras, das condições meteorológicas e dos preços obtidos pelos produtores no momento da comercialização.

Excesso de chuva exige atenção

Além das perspectivas econômicas, o clima será um dos principais fatores de atenção durante a safra.

Períodos prolongados de umidade podem dificultar o plantio e outras operações com máquinas, favorecer o desenvolvimento de doenças e comprometer o manejo das culturas.

O excesso de água no solo também aumenta a preocupação com erosão e perda de nutrientes.

Por isso, o planejamento deverá envolver desde a escolha das culturas e cultivares até a definição das melhores épocas para plantio e realização dos tratos culturais.

Projeções podem mudar durante a safra

Os números divulgados pela Epagri/Cepa são estimativas iniciais e serão atualizados conforme o desenvolvimento da safra 2026/2027.

O levantamento considera informações obtidas junto a produtores, extensionistas, cooperativas, prefeituras, sindicatos, instituições financeiras e outros agentes ligados ao setor agrícola.

No Oeste catarinense, especialmente nas áreas de maior concentração de milho, milho-silagem e soja, as condições meteorológicas dos próximos meses serão decisivas para determinar se as projeções de produção serão confirmadas.

Fonte: WH3 com ND+
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