
O cantor Netinho, um dos grandes nomes do axé music e conhecido nacionalmente pelo sucesso “Mila”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático.
A morte foi confirmada por meio de um comunicado publicado nas redes sociais oficiais do músico. Segundo a nota, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Netinho estava internado havia aproximadamente 13 dias no Hospital Aliança Star, em Salvador. O cantor enfrentava uma nova fase da doença, que havia retornado em maio deste ano de forma mais agressiva.
O diagnóstico de linfoma não Hodgkin foi anunciado em março de 2025, após uma internação motivada por fortes dores nas pernas. Desde então, o artista compartilhava com os fãs informações sobre o tratamento e a recuperação.
Nos últimos meses, ele havia se afastado das redes sociais para se dedicar aos cuidados com a saúde.
Família terá despedida reservada
Em comunicado, a assessoria de Netinho lamentou a morte e destacou o legado do cantor para a música brasileira.
O artista foi descrito como uma pessoa de talento, sensibilidade e inovação, cuja trajetória foi marcada pela alegria e pelo carisma.
Por desejo do próprio cantor, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos.
A data das cerimônias não foi divulgada. A equipe também pediu respeito à privacidade da família e agradeceu as manifestações de carinho e solidariedade.
De vocalista da Banda Beijo ao sucesso nacional
Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho se mudou com a família para Salvador aos 10 anos.
O interesse pela música começou ainda na adolescência. Aos 14 anos, ganhou da mãe seu primeiro violão e passou a desenvolver suas habilidades musicais.
Aos 16 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), mas a paixão pela música acabou direcionando sua trajetória profissional.
Antes de alcançar a fama, apresentou-se em bares, interpretando canções de MPB e bossa nova.
Em 1988, tornou-se vocalista da Banda Beijo, ganhando destaque no Carnaval de Salvador com músicas como “Beijo na Boca”.
A carreira solo começou em 1993, abrindo caminho para uma fase de grande projeção nacional.
“Mila” marcou uma geração
Foi em 1996 que Netinho lançou “Mila”, canção que se transformou em um dos maiores sucessos de sua carreira e em um clássico do axé music.A música conquistou espaço nas rádios de todo o Brasil e ajudou a consolidar o artista como um dos principais representantes do gênero na década de 1990.
Com o sucesso, Netinho ampliou sua presença no cenário musical e realizou apresentações internacionais, incluindo shows na Itália e no Chile.
Além da carreira como cantor, também atuou como empresário do setor musical. Investiu em um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.
O músico também criou um selo voltado à divulgação de novos talentos baianos.
Legado na música brasileira
Netinho foi um dos artistas que contribuíram para levar o axé music da Bahia ao público de diferentes regiões do Brasil e ao exterior.
Sua trajetória ficou marcada por apresentações no Carnaval, sucessos populares e uma forte identificação com a música baiana.
Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.
Com sua morte, a música brasileira perde um dos nomes que ajudaram a popularizar o axé nos anos 1990, deixando canções que permanecem na memória de diferentes gerações.

