
A confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus, em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, mobilizou as autoridades sanitárias e ampliou as ações de vigilância na região. Ao todo, 133 granjas estão na área de monitoramento, que abrange quatro municípios catarinenses.
Além de Nova Itaberaba, as medidas de vigilância e controle incluem propriedades localizadas em Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias.
O diagnóstico foi confirmado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após análises laboratoriais de amostras coletadas durante ações de vigilância ativa da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
Segundo as autoridades sanitárias, as aves da propriedade afetada não apresentavam sintomas clínicos da doença. A presença do vírus foi identificada por meio de exames realizados no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.
Medidas para conter a disseminação do vírus
Após a confirmação, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e a Cidasc mobilizaram equipes para executar as medidas sanitárias necessárias à contenção e erradicação do foco.
Entre as ações previstas estão o sacrifício sanitário das aves da propriedade afetada, a limpeza e a desinfecção das instalações, além do reforço na vigilância das criações localizadas na região.
As atividades são desenvolvidas em conjunto com o Ministério da Agricultura e representantes do setor produtivo.
De acordo com a Cidasc, o monitoramento das 133 granjas busca identificar precocemente possíveis ocorrências e impedir que o vírus se espalhe para outras propriedades.
A presidente da companhia, Celles Regina de Matos, informou que as equipes já estão atuando na região e que o Governo do Estado disponibilizou os recursos necessários para a eliminação do foco.
Ela também destacou a importância das medidas para preservar o status sanitário de Santa Catarina e os compromissos assumidos com os países importadores de produtos avícolas.
O que é a Doença de Newcastle?
A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres. Dependendo da variante do vírus e da espécie atingida, pode provocar quadros graves e elevada mortalidade.
Entre os principais sintomas estão dificuldades respiratórias, espirros, falta de apetite, diarreia, inchaço na cabeça e alterações neurológicas, como dificuldade de locomoção e torção do pescoço.
Em casos mais graves, a doença pode causar a morte de grande quantidade de aves em um curto período.
Entretanto, a ausência de sintomas não significa que os animais estejam livres da infecção. No caso identificado em Nova Itaberaba, o vírus foi detectado em exames laboratoriais, mesmo sem manifestações clínicas aparentes.
Doença oferece baixo risco para humanos
Segundo informações técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a infecção pelo vírus da Doença de Newcastle em seres humanos é rara.
Quando ocorre, geralmente está associada ao contato direto e próximo com secreções de aves infectadas. A manifestação mais comum é uma conjuntivite leve e passageira.
Apesar do baixo risco para a população, as autoridades recomendam evitar o contato com aves doentes ou encontradas mortas.
Trabalhadores de granjas e estabelecimentos avícolas devem seguir rigorosamente os protocolos de biosseguridade para reduzir o risco de disseminação do vírus.
Carne de aves e ovos continuam seguros para consumo
O Governo de Santa Catarina reforçou que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados permanece seguro.
A confirmação de um foco da doença em uma propriedade não significa que os produtos avícolas comercializados estejam contaminados ou impróprios para consumo.
A orientação aos consumidores é verificar se os produtos possuem os selos oficiais de inspeção sanitária, como o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), Serviço de Inspeção Estadual (SIE) ou Serviço de Inspeção Federal (SIF).
As medidas adotadas pelas autoridades buscam impedir a disseminação da doença entre as criações e preservar a segurança sanitária da produção avícola catarinense.
Produtores devem comunicar casos suspeitos
A Cidasc orienta os produtores rurais a redobrar os cuidados com a biosseguridade das propriedades e observar possíveis alterações no comportamento e na saúde das aves.
Casos de sintomas respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.
As notificações podem ser realizadas pelo sistema e-Sisbravet ou diretamente nos escritórios locais da Cidasc.
A recomendação é não tocar nem movimentar aves suspeitas ou encontradas mortas, evitando possíveis riscos de disseminação do vírus.
A comunicação rápida permite que as equipes sanitárias investiguem as ocorrências e adotem as medidas necessárias para proteger as criações e o setor avícola de Santa Catarina.

