POLÍCIA - 20/10/2026 13:41

Polícia Civil deflagra Operação Ultimato contra facção criminosa em Itapiranga

Ação cumpriu nove mandados de prisão e cinco de busca e apreensão; investigação apura tráfico de drogas e extorsões com ameaças de morte e incêndio de imóveis
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Foto: Marcos de Lima / WH Comunicações

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na tarde de segunda-feira (19), a Operação Ultimato, com o objetivo de combater a atuação da facção criminosa “Os Manos”, de origem gaúcha e com atuação interestadual. A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia da Comarca de Itapiranga e resultou no cumprimento de nove mandados de prisão, sendo sete preventivas e duas temporárias, além de cinco mandados de busca e apreensão.

As investigações apontaram que integrantes da organização criminosa estariam envolvidos em tráfico de drogas e extorsões praticadas mediante graves ameaças contra moradores e comerciantes da região.

Perda de drogas teria motivado extorsão contra família

De acordo com o delegado Fabiano Andrade, as investigações começaram após a apreensão de um adolescente de 17 anos, em 9 de agosto de 2026, por ato infracional análogo ao tráfico de drogas.

Na ocasião, o adolescente teria perdido 32 porções de cocaína que pertenciam à facção. A situação teria desencadeado ameaças e cobranças contra seus familiares. Conforme a investigação, o avô do adolescente foi obrigado a pagar R$ 3 mil aos criminosos, após sofrer graves ameaças.

Outro caso investigado envolve proprietários de um estabelecimento comercial de Itapiranga, que passaram a receber ligações e mensagens intimidatórias. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos demonstravam conhecer a rotina da família, os locais frequentados pelas vítimas e até a escola dos filhos.

As ameaças tinham como objetivo exigir pagamentos, sob a intimidação de incendiar o estabelecimento comercial e matar os familiares.

Mulher teria sido extorquida em R$ 8,8 mil

Em outro episódio apurado pela investigação, uma mulher teria sido extorquida em R$ 8,8 mil por causa de uma suposta dívida de drogas atribuída ao filho.

Conforme a Polícia Civil, criminosos foram até a residência da vítima, exibiram uma arma de fogo e ameaçaram incendiar o imóvel com os familiares dentro.

Sob ameaça, a mulher teria sido obrigada a entregar seu automóvel, que foi levado para Barra do Guarita, no Rio Grande do Sul. O veículo foi recuperado após o pagamento exigido pelos suspeitos.

Ainda segundo a investigação, a devolução do automóvel teria sido acompanhada por videochamada por um dos líderes da organização criminosa, conhecido como “DG”.

Lideranças continuariam comandando crimes de dentro de presídios

Com o avanço das diligências, a Polícia Civil identificou quatro supostas lideranças da facção, conhecidas pelos apelidos de “DG”, “Turco”, “Sombra” e “Bin Laden”.

Segundo os investigadores, mesmo estando presos no Rio Grande do Sul, eles continuariam coordenando atividades relacionadas ao tráfico de drogas e às extorsões por meio de aparelhos celulares e aplicativos bancários.

Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, “DG” está preso em Santa Rosa (RS), enquanto os outros três investigados estão recolhidos em Três Passos (RS).

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou judicialmente a transferência de “DG” para uma penitenciária federal de segurança máxima e dos demais apontados como líderes para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS).

A medida busca restringir o acesso dos investigados a aparelhos celulares e dificultar a continuidade do comando da organização criminosa de dentro das unidades prisionais.

A investigação também motivou um pedido de bloqueio de contas bancárias vinculadas aos suspeitos, com o objetivo de atingir os recursos financeiros utilizados pela organização.

Operação teve apoio de forças de segurança de SC e RS

A Operação Ultimato contou com o apoio da Polícia Militar de Itapiranga, do Canil de São Miguel do Oeste e de policiais civis de Tenente Portela (RS).

A atuação conjunta das forças de segurança buscou cumprir as medidas judiciais e avançar no enfrentamento à criminalidade na região de fronteira entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração das movimentações financeiras relacionadas à facção criminosa.

Fonte: Marcos de Lima / Rádio 103 FM com informações da PC
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