
Santa Catarina registrou, neste mês, seu primeiro transporte de sangue raro dentro da cabine de um avião comercial, e o terceiro realizado no Brasil. A ação foi possível com a atualização do Termo de Cooperação Técnica ao transporte de órgãos incluindo o transporte de sangue raro em emergências do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida reduz o tempo de atendimento a pacientes que necessitam de tipos específicos de sangue com urgência — até então, o sangue era enviado como carga, sujeito a prazos mais longos e atrasos.
“Assim que foi alertado, o HEMOSC entrou em contato com o único possível doador, que estava apto a doar. Ele se prontificou a ir ao hemocentro já no dia seguinte, mas, caso não pudesse, o órgão estadual também seria responsável pelo transporte do doador. Com o sangue coletado, a equipe agiu com urgência para prontificar e liberar a bolsa de sangue ao transporte aéreo, o que considero mais um exemplo do compromisso do HEMOSC com aqueles que precisam de transfusão, e neste caso, para além de Santa Catarina”, conta a diretora-geral do HEMOSC, Patrícia Carsten.
O transporte de sangue raro é realizado em embalagem apropriada, com rigoroso controle de temperatura (entre 1ºC a 10ºC), e transportado gratuitamente por aviões comerciais. Essa prática foi possível devido ao acordo entre a Agência Nacional de Aviação (Anac) e as companhias aéreas formalizado no meio deste ano. Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
O primeiro transporte de sangue raro na cabine de avião comercial ocorreu em 12 de setembro, de São Paulo ao Piauí. O segundo foi do Ceará a Juiz de Fora (MG), em 9 de outubro, e o terceiro saiu de Florianópolis (SC), em 10 de outubro.
A Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT) reconhece oficialmente 49 sistemas de grupos sanguíneos, 398 antígenos e 2001 variações genéticas, o que demonstra a complexidade do assunto e o quanto isso impacta na compatibilidade sanguínea entre doador e receptor. São diversos os fatores que determinam a compatibilidade entre doador e receptor de sangue, há muitos antígenos presentes na superfície das hemácias, e encontrar sangue compatível exige a identificação de características específicas de fenotipagem e genotipagem. Um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas.

