ALERTA DA ONU - 21/10/2026 10:52 (atualizado em 21/10/2026 10:56)

El Niño de 2026 pode atingir intensidade histórica e provocar eventos climáticos extremos, aponta alerta

Projeções divulgadas nesta quarta-feira (21) indicam possibilidade de aquecimento excepcional do Pacífico; no Sul do Brasil, preocupação é com chuvas intensas e enchentes
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Imagem da NASA destaca a elevação do nível do mar associada às águas mais quentes do Pacífico Equatorial, região onde se desenvolve o El Niño Foto: NASA/JPL-Caltech

O fenômeno climático El Niño de 2026 poderá atingir uma intensidade excepcional, com potencial para superar os padrões observados nas últimas quatro décadas. O alerta foi atribuído à Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, nesta quarta-feira (21).

Segundo as projeções apresentadas, o fenômeno poderá provocar ondas de calor extremo, secas severas e inundações em diferentes regiões do planeta, alterando os padrões de temperatura e precipitação.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou os riscos associados à intensificação do fenômeno e a importância do acompanhamento das condições climáticas nos próximos meses.

Temperatura do Oceano Pacífico pode ficar 3,7°C acima da média

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, fenômeno que interfere na circulação atmosférica e provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.

Conforme as projeções citadas no alerta, o aquecimento poderá continuar se intensificando até dezembro, quando o fenômeno atingiria seu pico.

A temperatura da superfície do Pacífico tropical poderia alcançar até 3,7°C acima da média, cenário associado a um episódio de intensidade extraordinária.

Caso essa projeção se confirme, os efeitos poderão atingir atividades como agricultura, pesca, comércio, geração de energia, transporte e abastecimento de água.

Estudo aponta riscos do calor extremo para o Brasil

O Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago classificou o fenômeno projetado para 2026 como um possível Super El Niño.

Segundo o estudo citado, o Brasil está entre os países latino-americanos que poderão enfrentar consequências significativas.

Uma das estimativas aponta que o calor extremo associado ao fenômeno poderia contribuir para até 13,3 mil mortes no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

O número representa uma projeção de risco apresentada no estudo, e não um registro de mortes já ocorridas. A dimensão dos impactos dependerá da evolução das condições climáticas e das medidas de prevenção adotadas.
Sul do Brasil pode enfrentar aumento das chuvas

Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná, episódios de El Niño costumam favorecer períodos com chuva acima da média, embora os efeitos variem conforme a intensidade e a duração do fenômeno.

Esse comportamento aumenta a preocupação com a possibilidade de temporais, enchentes, enxurradas e prejuízos à agricultura, especialmente em regiões vulneráveis a eventos de chuva intensa.

No Oeste e Extremo-Oeste catarinense, o acompanhamento das condições meteorológicas é importante para atividades como a produção agropecuária e para a prevenção de ocorrências relacionadas ao excesso de chuva.

Entretanto, a ocorrência de El Niño não significa que todos os períodos serão necessariamente chuvosos. A distribuição das precipitações depende também da atuação de frentes frias e de outros sistemas atmosféricos.

Fenômeno de 2023 e 2024 contribuiu para recordes de temperatura

A Organização Meteorológica Mundial também destaca que o episódio de El Niño registrado entre 2023 e 2024 contribuiu para as temperaturas globais excepcionalmente elevadas observadas naquele período.

O fenômeno atua em conjunto com outros fatores climáticos, incluindo a tendência de aquecimento global, e pode intensificar extremos de temperatura e precipitação.

Diante das projeções para os próximos meses, a orientação é que governos, setores produtivos e órgãos de Defesa Civil reforcem o monitoramento meteorológico e as medidas preventivas.

As estimativas de intensidade e impactos ainda dependem de confirmação e atualização pelos órgãos meteorológicos, já que a evolução do El Niño pode apresentar mudanças ao longo dos próximos meses.

Fonte: WH3 com SBTNEWS
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