
O fenômeno climático El Niño de 2026 poderá atingir uma intensidade excepcional, com potencial para superar os padrões observados nas últimas quatro décadas. O alerta foi atribuído à Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, nesta quarta-feira (21).
Segundo as projeções apresentadas, o fenômeno poderá provocar ondas de calor extremo, secas severas e inundações em diferentes regiões do planeta, alterando os padrões de temperatura e precipitação.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou os riscos associados à intensificação do fenômeno e a importância do acompanhamento das condições climáticas nos próximos meses.
Temperatura do Oceano Pacífico pode ficar 3,7°C acima da média
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, fenômeno que interfere na circulação atmosférica e provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Conforme as projeções citadas no alerta, o aquecimento poderá continuar se intensificando até dezembro, quando o fenômeno atingiria seu pico.
A temperatura da superfície do Pacífico tropical poderia alcançar até 3,7°C acima da média, cenário associado a um episódio de intensidade extraordinária.
Caso essa projeção se confirme, os efeitos poderão atingir atividades como agricultura, pesca, comércio, geração de energia, transporte e abastecimento de água.
Estudo aponta riscos do calor extremo para o Brasil
O Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago classificou o fenômeno projetado para 2026 como um possível Super El Niño.
Segundo o estudo citado, o Brasil está entre os países latino-americanos que poderão enfrentar consequências significativas.
Uma das estimativas aponta que o calor extremo associado ao fenômeno poderia contribuir para até 13,3 mil mortes no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
O número representa uma projeção de risco apresentada no estudo, e não um registro de mortes já ocorridas. A dimensão dos impactos dependerá da evolução das condições climáticas e das medidas de prevenção adotadas.
Sul do Brasil pode enfrentar aumento das chuvas
Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná, episódios de El Niño costumam favorecer períodos com chuva acima da média, embora os efeitos variem conforme a intensidade e a duração do fenômeno.
Esse comportamento aumenta a preocupação com a possibilidade de temporais, enchentes, enxurradas e prejuízos à agricultura, especialmente em regiões vulneráveis a eventos de chuva intensa.
No Oeste e Extremo-Oeste catarinense, o acompanhamento das condições meteorológicas é importante para atividades como a produção agropecuária e para a prevenção de ocorrências relacionadas ao excesso de chuva.
Entretanto, a ocorrência de El Niño não significa que todos os períodos serão necessariamente chuvosos. A distribuição das precipitações depende também da atuação de frentes frias e de outros sistemas atmosféricos.
Fenômeno de 2023 e 2024 contribuiu para recordes de temperatura
A Organização Meteorológica Mundial também destaca que o episódio de El Niño registrado entre 2023 e 2024 contribuiu para as temperaturas globais excepcionalmente elevadas observadas naquele período.
O fenômeno atua em conjunto com outros fatores climáticos, incluindo a tendência de aquecimento global, e pode intensificar extremos de temperatura e precipitação.
Diante das projeções para os próximos meses, a orientação é que governos, setores produtivos e órgãos de Defesa Civil reforcem o monitoramento meteorológico e as medidas preventivas.
As estimativas de intensidade e impactos ainda dependem de confirmação e atualização pelos órgãos meteorológicos, já que a evolução do El Niño pode apresentar mudanças ao longo dos próximos meses.

