POLÍTICA - 26/10/2026 07:26

Lula enfrentará Congresso mais conservador em 2027 após crescimento do PL nas eleições

Partido de Flávio Bolsonaro terá 121 deputados e 29 senadores; presidente reeleito precisará negociar apoio para aprovar propostas do novo mandato
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Plenário do Senado Federal durante sessão solene. Na mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. — Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Reeleito para um quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará um Congresso Nacional com maior presença de parlamentares da oposição a partir de 2027. O crescimento do Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno, deverá exigir novas articulações políticas do governo federal.

O PL terá 121 deputados federais e 29 senadores, consolidando-se como uma das principais forças do Legislativo. Além disso, partidos de centro e centro-direita, como PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo, que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, também terão participação expressiva no Congresso.

Durante o discurso após a vitória eleitoral, Lula reconheceu que precisará negociar com diferentes forças políticas, mas afirmou estar disposto a trabalhar com o Parlamento escolhido pelos eleitores.

“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.

Governo precisará construir maiorias

Entre as propostas que dependerão de apoio parlamentar está a criação de transporte público gratuito, promessa apresentada por Lula durante a reta final da campanha.

Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), por exemplo, são necessários pelo menos 308 votos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.

Já os projetos de lei complementar exigem 257 votos favoráveis na Câmara e 41 no Senado.

Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta em agosto de 2026 — Foto: Foto: Ricardo Stuckert.

Disputa pelo comando do Congresso

Outro ponto importante será a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027.

Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) articula sua permanência no cargo e busca apoio de partidos de centro e esquerda. O PL também pretende ampliar sua influência sobre a direção da Casa e as principais comissões parlamentares.

No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) trabalha pela reeleição, enquanto o PL demonstra interesse em conquistar a presidência da instituição, tendo o senador Rogério Marinho (PL-RN) como possível candidato.

A presidência do Senado é considerada estratégica também por sua influência na tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar das divergências partidárias, Hugo Motta afirmou após a eleição que o presidente Lula poderá contar com apoio parlamentar para propostas voltadas à melhoria das condições de vida da população.

O cenário indica que a capacidade de negociação entre o Palácio do Planalto e os partidos de centro será determinante para o andamento da agenda legislativa do próximo governo.

Fonte: WH3 com G1
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