
A construção da ponte sobre o Rio Uruguai, que ligará Itapiranga, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, a Barra do Guarita, no Rio Grande do Sul, poderá enfrentar dificuldades financeiras antes mesmo do início das obras. A proposta do Orçamento Geral da União (OGU) para 2027 prevê apenas R$ 1,5 milhão para o empreendimento, cujo custo total está estimado em R$ 379 milhões.
O valor representa menos de 0,4% do investimento necessário para a execução do complexo viário, considerado estratégico para a integração entre os dois estados e para o desenvolvimento econômico da região.
A previsão orçamentária também representa uma redução expressiva em relação a 2026, quando foram destinados R$ 37,5 milhões ao projeto.
Licitação depende de autorização ambiental
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pretende lançar o edital de licitação ainda em 2026. No entanto, a publicação depende da obtenção do licenciamento ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A contratação deverá ocorrer pelo modelo semi-integrado, no qual a empresa vencedora será responsável pela elaboração do projeto executivo antes do início das intervenções.
Caso o contrato seja assinado até meados de 2027, os R$ 1,5 milhão previstos na proposta orçamentária poderão ser insuficientes para garantir o andamento inicial dos trabalhos.
Nesse cenário, será necessária a ampliação dos recursos, seja por meio de emendas parlamentares durante a tramitação do orçamento no Congresso Nacional, seja por suplementações posteriores.
Ponte terá 1,2 quilômetro de extensão
O projeto prevê a construção de uma ponte de aproximadamente 1,2 quilômetro sobre o Rio Uruguai, conectando diretamente os municípios de Itapiranga e Barra do Guarita.
Além da estrutura principal, o complexo viário contempla a implantação de novos acessos rodoviários nos dois estados.
No lado catarinense, está prevista a construção de um contorno viário de 8,5 quilômetros em Itapiranga. Já no lado gaúcho, o projeto inclui uma variante de aproximadamente 4,5 quilômetros em Barra do Guarita.
As intervenções deverão permitir a integração da nova travessia à malha rodoviária regional, facilitando o transporte de cargas e o deslocamento de moradores.
Nova ligação vai eliminar dependência das balsas
Atualmente, a travessia entre Itapiranga e Barra do Guarita é realizada exclusivamente por balsas, o que torna o deslocamento dependente das condições de navegação e do funcionamento do serviço.
Motoristas que optam por realizar o percurso exclusivamente por rodovias precisam enfrentar desvios que podem chegar a 88 quilômetros, pela região de Palmitos e Iraí, ou até 105 quilômetros, dependendo do ponto de partida no lado gaúcho.
Com a construção da ponte, a expectativa é reduzir significativamente as distâncias e o tempo de deslocamento, além de proporcionar maior segurança e previsibilidade ao transporte regional.
Atualmente, as principais alternativas de travessia rodoviária sobre o Rio Uruguai na região estão localizadas na BR-158, entre Palmitos (SC) e Iraí (RS), e no Goio-Ên, entre Chapecó e o Rio Grande do Sul.
Recursos serão decisivos para o andamento da obra
Considerada uma reivindicação histórica das comunidades dos dois estados, a ponte é apontada como uma infraestrutura importante para o escoamento da produção agroindustrial, o transporte de mercadorias e a integração econômica entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Apesar da intenção do DNIT de avançar com a licitação, a diferença entre o custo estimado e o valor reservado para 2027 coloca o financiamento entre os principais desafios do empreendimento.
A proposta orçamentária ainda poderá sofrer alterações durante a análise e votação no Congresso Nacional.
A efetiva execução da obra dependerá tanto da conclusão do processo de licenciamento ambiental quanto da garantia de recursos federais suficientes para sustentar o cronograma de construção.

