
Quatro mulheres foram brutalmente assassinadas em Santa Catarina nos primeiros dez dias de 2026. Em todos os casos, os suspeitos eram conhecidos das vítimas.
O número de feminicídios no estado já é maior do que o registrado durante o mês de janeiro inteiro de 2025. No período, foram três mortes contabilizadas pelo OVM-SC (Observatório de Violência contra a Mulher em Santa Catarina).
Quem são as quatro mulheres vítimas de feminicídio em SC
Stephanny Cassiana da Silva, de 40 anos
Stephanny foi assassinada poucas horas após o início do ano, em São João Batista, na Grande Florianópolis. Por volta das 5h30 do dia 1, ela foi morta a facadas ao defender sua amiga do companheiro, que tentava agredi-la.
A mulher, natural de Goiana, em Pernambuco, comemorava o Ano-Novo na casa de uma amiga de 53 anos, o companheiro dela, de 41, e a filha, de 29. Todos eles trabalhavam em uma fábrica de calçados da região.
Segundo a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), o homem estava alcoolizado e iniciou uma discussão com a amiga de Stephanny. A filha tentou intervir na situação e foi empurrada.
Na tentativa de impedir novas agressões, Stephanny levou a amiga e sua filha para fora da residência, e se trancou dentro da casa com o agressor. Ele, então, esfaqueou-a mais de dez vezes no peito, costas e cabeça.
Stephanny chegou a ser socorrida, mas morreu quando chegou ao hospital. O suspeito de assassiná-la fugiu e não foi localizado pela PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) até o momento.
Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos
Marivane trocou as fechaduras de sua casa, solicitou medidas protetivas e registrou boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele a espancou até à morte após invadir sua residência na última terça-feira (6), em Chapecó.
Em uma das mensagens que constam em boletins de ocorrência de 29 e 30 de dezembro encontrados na casa de Marivane, o ex fez ameaças: “Vc não tem ideia da merda q vc fez marivane, põem guarda 24h na rua te cuidando (sic)”, comprova o documento.
O agressor fugiu do local do crime, mas foi localizado pela polícia. Cercado, ele tentou tirar a própria vida, chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
Juvilete Kviatkoski, de 37 anos, e Mariana Vitória Cuochinski, de 15
Juvilete e sua filha, Mariana Vitória, foram assassinadas a facadas dentro de casa na manhã de sexta-feira (9), em União do Oeste. O principal suspeito de matá-las é o marido de Juvilete e pai de Mariana, Jair Cuochinski.
Quando a PMSC chegou à residência da família, sob a denúncia de que um homem estaria agredindo os familiares, a adolescente já havia sido esfaqueada e encaminhada ao hospital, onde morreu. A mãe foi encontrada dentro da casa e morreu no local.
Jair reagiu à chegada da polícia, tentou agredir os agentes e acabou sendo morto no local. Juvilete era professora e catequista. Ela e a filha eram muito queridas no município de pouco mais de 2,7 mil habitantes, que decretou luto oficial de três dias.
Casos julgados de feminicídio em SC aumentaram em 2025
Nos sete primeiros meses de 2025, o Tribunal de Justiça julgou 106 casos de feminicídio no estado, quase quatro por semana. O número é 36% maior do que o mesmo período do ano anterior.
De acordo com o levantamento, a Justiça catarinense concedeu 18.387 medidas protetivas nos primeiros sete meses deste ano. O somatório equivale a 87 por dia, aumento de 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em números absolutos, o estado registrou 48 feminicídios em 2025, segundo o OVM-SC, que utiliza informações repassadas pela SSP-SC (Secretaria de Segurança Pública do Estado de Santa Catarina).
Entretanto, esse número sobe para 152 no Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborado pelo Senado Federal, classificando Santa Catarina como o segundo estado que mais registrou feminicídios em 2025, atrás somente do Rio de Janeiro.
O mapa do Senado Federal usa dados registrados na BNBO (Base Nacional de Boletins de Ocorrência), que centraliza os boletins de ocorrência registrados em todo o Brasil, e do Sinesp Validador de Dados Estatísticos (VDE), que reúne estatísticas oficiais sobre segurança pública.

