
Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, Manoel Carlos, um dos mais importantes autores da televisão brasileira. Ele enfrentava um quadro da Doença de Parkinson e era acompanhado em casa pela esposa, Elisabety, e pela filha, a atriz Júlia Almeida. A notícia foi confirmada pela produtora Boa Palavra.
Manoel Carlos (ou Maneco, como era chamado) escreveu clássicos da teledramaturgia, como Laços de Família (2000), Por Amor (1997) e Mulheres Apaixonadas (2003). Suas tramas fizeram sucesso por abordar dramas familiares e temas sociais, com as Helenas como personagem principal.
Carreira
Nascido em São Paulo, em 14 de março de 1933, Manoel Carlos iniciou a trajetória nos primórdios da TV brasileira, na década de 1950, quando integrou o elenco do Grande Teatro Tupi, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Foi nessa época que escreveu as primeiras adaptações literárias para a televisão, como Helena (1952) e Iaiá Garcia (1953), ambas baseadas em obras de Machado de Assis. Além de novelas, dirigiu programas de sucesso na TV Record, como Família Trapo e O Fino da Bossa, este último apresentado por Elis Regina.
Nos anos 1970, Manoel Carlos ajudou a criar o Fantástico e, na década seguinte, se firmou como um dos grandes autores da TV Globo. Sua estreia com novelas na emissora foi com Maria, Maria (1978), seguida por A Sucessora (1979), ambas adaptações de romances. Em 1980, colaborou com Gilberto Braga em Água Viva, novela que explorou os conflitos da burguesia carioca, tema que se tornaria uma marca em sua obra.
Apesar do sucesso, enfrentou um momento difícil durante Sol de Verão (1982), quando a morte do ator Jardel Filho, seu amigo e protagonista da trama, o levou a abandonar a produção. A novela foi concluída por outros autores e saiu do ar antes do previsto. Esse período também marcou sua saída temporária da Globo, quando trabalhou em outras emissoras, como Manchete (Novo Amor) e Band (O Cometa).
Seu retorno à Globo veio em 1991, com Felicidade, novela que marcou o início de uma fase de grandes sucessos. Nos anos seguintes, Manoel Carlos se consagrou com tramas que misturavam amor, conflitos familiares e questões sociais. História de Amor (1995) gerou polêmica ao abordar uma paixão entre mãe e filha pelo mesmo homem, enquanto Por Amor (1997-98) explorou temas como troca de bebês, alcoolismo e bissexualidade.
— Eu acho que o único amor absolutamente inquestionável na humanidade, é o amor materno. Então, pensei: “qual seria a maneira de uma mãe se sacrificar radicalmente por uma filha? Dar um filho em troca do neto, com o sacrifício do amor do marido” — explicou, ao Memória Globo.
O auge da carreira veio com Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003), novelas que conquistaram altos índices de audiência e também influenciaram debates sociais. Mulheres Apaixonadas, por exemplo, contribuiu para a discussão que levou à criação do Estatuto do Idoso. Além das tramas diárias, ele também se destacou em minisséries, como Presença de Anita (2001), recordista de audiência na época.
Em Páginas da Vida (2006), Maneco trouxe uma criança com síndrome de Down como protagonista, e em Viver a Vida (2009), emocionou o público com a história de uma modelo que ficou tetraplégica. Sua última novela, Em Família (2014), no entanto, não repetiu o sucesso das produções anteriores, encerrando sua carreira em meio a críticas e baixa audiência.
— Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento. E o público acaba absorvendo as tramas de uma maneira mais leve — disse, ao Memória Globo.

