
A investigação contra um ex-gerente da Caixa Econômica Federal em Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, revelou um suposto esquema de saques indevidos que pode ter causado prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão, considerando atualização monetária.
O caso é apurado pela Polícia Federal no âmbito da Operação “Sem Remorso”.
Como funcionava o esquema
De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, os desvios teriam ocorrido entre janeiro e agosto de 2022. O então gerente de relacionamento utilizava o acesso ao sistema bancário para realizar saques diretamente no caixa eletrônico da agência, simulando operações feitas pelos próprios titulares das contas.
As retiradas eram feitas quase diariamente, com valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, sempre em espécie e, na maioria das vezes, no mesmo terminal.
A estratégia, segundo a PF, consistia em fracionar os valores em diversas contas para evitar suspeitas. Em vez de retirar grandes quantias de uma única vítima, o investigado teria feito pequenos saques em contas de dezenas de idosos, dificultando a identificação imediata das irregularidades.
Perfil das vítimas
As vítimas seriam, em sua maioria, idosos com mais de 80 anos, alguns considerados “hiperidosos”, que raramente iam até a agência ou utilizavam aplicativos bancários.
Entre os casos apurados está o de um idoso nascido em 1918, com 108 anos. Segundo a investigação, o perfil das vítimas facilitava a prática, já que muitos não acompanhavam com frequência os extratos bancários.
A Polícia Federal aponta a existência de centenas de saques indevidos no período analisado.
Descoberta e demissão
As movimentações atípicas foram identificadas inicialmente pela própria instituição financeira, que instaurou procedimento administrativo interno. O ex-gerente foi demitido em julho de 2025 por conduta considerada incompatível com a função.
Após a apuração preliminar, o caso foi comunicado à Polícia Federal, que instaurou inquérito e obteve autorização judicial para quebra de sigilo bancário, aprofundando as investigações.
Operação “Sem Remorso”
A apuração resultou na deflagração da Operação “Sem Remorso”, com cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do investigado, em Dionísio Cerqueira.
Durante a ação, foram apreendidos documentos, um celular e um veículo de luxo da marca Volvo, avaliado em cerca de R$ 450 mil. Um imóvel de alto padrão também foi identificado e pode ser alvo de medidas judiciais.
Imagens internas da agência teriam confirmado que os saques eram realizados presencialmente pelo gerente no caixa eletrônico.
A Polícia Federal informou que, por regra, não divulga a identidade ou imagens do investigado enquanto não houver decisão judicial definitiva.
Próximos passos
As investigações continuam para identificar todas as vítimas e dimensionar o prejuízo total. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncia à Justiça.
Em nota, a Caixa informou que colabora com as investigações e reforçou que mantém monitoramento constante de produtos e transações para identificar suspeitas de fraude, além de adotar procedimentos de segurança para proteger seus clientes.
O caso aguarda agora os próximos desdobramentos judiciais.

