POLÍCIA FEDERAL - 25/02/2026 08:24

O que se sabe sobre ex-gerente da Caixa suspeito de desviar R$ 1 milhão de idosos em Dionísio Cerqueira

Esquema teria ocorrido entre 2022 e 2022, com centenas de saques fracionados em contas de vítimas com mais de 80 anos; investigação é conduzida pela Polícia Federal
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Foto: PF / Divulgação 

A investigação contra um ex-gerente da Caixa Econômica Federal em Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, revelou um suposto esquema de saques indevidos que pode ter causado prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão, considerando atualização monetária.

O caso é apurado pela Polícia Federal no âmbito da Operação “Sem Remorso”.

Como funcionava o esquema

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, os desvios teriam ocorrido entre janeiro e agosto de 2022. O então gerente de relacionamento utilizava o acesso ao sistema bancário para realizar saques diretamente no caixa eletrônico da agência, simulando operações feitas pelos próprios titulares das contas.

As retiradas eram feitas quase diariamente, com valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, sempre em espécie e, na maioria das vezes, no mesmo terminal.

A estratégia, segundo a PF, consistia em fracionar os valores em diversas contas para evitar suspeitas. Em vez de retirar grandes quantias de uma única vítima, o investigado teria feito pequenos saques em contas de dezenas de idosos, dificultando a identificação imediata das irregularidades.

Perfil das vítimas

As vítimas seriam, em sua maioria, idosos com mais de 80 anos, alguns considerados “hiperidosos”, que raramente iam até a agência ou utilizavam aplicativos bancários.

Entre os casos apurados está o de um idoso nascido em 1918, com 108 anos. Segundo a investigação, o perfil das vítimas facilitava a prática, já que muitos não acompanhavam com frequência os extratos bancários.

A Polícia Federal aponta a existência de centenas de saques indevidos no período analisado.

Descoberta e demissão

As movimentações atípicas foram identificadas inicialmente pela própria instituição financeira, que instaurou procedimento administrativo interno. O ex-gerente foi demitido em julho de 2025 por conduta considerada incompatível com a função.

Após a apuração preliminar, o caso foi comunicado à Polícia Federal, que instaurou inquérito e obteve autorização judicial para quebra de sigilo bancário, aprofundando as investigações.

Operação “Sem Remorso”

A apuração resultou na deflagração da Operação “Sem Remorso”, com cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do investigado, em Dionísio Cerqueira.

Durante a ação, foram apreendidos documentos, um celular e um veículo de luxo da marca Volvo, avaliado em cerca de R$ 450 mil. Um imóvel de alto padrão também foi identificado e pode ser alvo de medidas judiciais.

Imagens internas da agência teriam confirmado que os saques eram realizados presencialmente pelo gerente no caixa eletrônico.

A Polícia Federal informou que, por regra, não divulga a identidade ou imagens do investigado enquanto não houver decisão judicial definitiva.

Próximos passos

As investigações continuam para identificar todas as vítimas e dimensionar o prejuízo total. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncia à Justiça.

Em nota, a Caixa informou que colabora com as investigações e reforçou que mantém monitoramento constante de produtos e transações para identificar suspeitas de fraude, além de adotar procedimentos de segurança para proteger seus clientes.

O caso aguarda agora os próximos desdobramentos judiciais.

Fonte: Daiane Carolina / ND+
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