
O delegado Cleverson Luis Muller, responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), detalhou como as investigações iniciadas pela Polícia Civil levaram à operação que apura tráfico internacional de mulheres e exploração sexual em São Miguel do Oeste.
Investigação começou após denúncia de vítima argentina
Segundo o delegado, o caso teve início entre setembro e outubro de 2025, quando uma mulher de nacionalidade argentina procurou atendimento em um posto de saúde do município relatando ter sido atraída ao Brasil com falsa promessa de emprego.
De acordo com Muller, a vítima teria sido convidada para trabalhar como garçonete em um restaurante, porém ao chegar ao Brasil percebeu que a atividade prometida não existia.
“Ela relatou que foi induzida a vir até São Miguel do Oeste para trabalhar em um restaurante. Quando chegou aqui percebeu que não seria essa atividade e conseguiu fugir do local, procurando atendimento em um posto de saúde”, explicou o delegado.
Após o relato, a equipe de saúde acionou a Polícia Civil, que iniciou os primeiros procedimentos investigativos.
Investigação foi repassada à Polícia Federal
Ainda conforme o delegado, devido ao caráter internacional do crime — envolvendo vítima estrangeira e possível tráfico de pessoas entre países — o caso foi encaminhado à Polícia Federal, responsável por esse tipo de investigação.
Mesmo assim, a oitiva inicial da vítima foi realizada na própria DPCAMI com acompanhamento da Polícia Federal.
“Fizemos contato imediato com o delegado da Polícia Federal em Dionísio Cerqueira e realizamos a oitiva dela de forma conjunta, inclusive com participação por vídeo. Depois encaminhamos a vítima ao Instituto Médico Legal, onde foram constatadas algumas lesões”, afirmou Muller.
Com as provas iniciais reunidas, o inquérito foi repassado oficialmente à Polícia Federal, que deu continuidade às investigações.
Buscas identificaram outras mulheres estrangeiras
Durante o cumprimento de mandados de busca nesta sexta-feira, equipes da Polícia Federal e da Polícia Civil estiveram em locais investigados no município.
Segundo Muller, durante as diligências também foram identificadas outras quatro mulheres de nacionalidade argentina trabalhando em estabelecimentos da cidade.
A princípio, todas teriam entrado regularmente no Brasil, porém as autoridades passaram a observar a presença crescente de mulheres estrangeiras atuando nesse tipo de atividade na região.
“Temos percebido a vinda de mulheres argentinas e até de outras nacionalidades para trabalhar nesse ramo aqui no município e na região. Por isso é importante manter fiscalização e acompanhamento das condições em que essas mulheres são trazidas e trabalham”, explicou o delegado.
Crime pode resultar em pena de até oito anos
O delegado ressaltou que o tráfico internacional de pessoas para exploração sexual é considerado crime grave, com pena que pode variar de quatro a oito anos de prisão, podendo ser aumentada dependendo das circunstâncias do caso.
Segundo ele, os criminosos geralmente se aproveitam da vulnerabilidade social e econômica das vítimas para atraí-las com falsas promessas de emprego.
Polícia pede apoio da população
A Polícia Civil reforça que informações sobre possíveis casos semelhantes podem ser repassadas às autoridades.
“Pedimos à população e à imprensa que, caso tenham conhecimento de situações desse tipo, procurem a Polícia Civil ou algum serviço da rede de proteção, como saúde e assistência social, para que possamos tomar as providências necessárias”, concluiu o delegado.
A investigação segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e eventuais vítimas do esquema criminoso.

