
A guabirobeira, planta que possui espécie nativa da região Sul do país, tem despertado o interesse de pesquisadores pelo seu potencial de contribuir para a saúde. Resultados divulgados recentemente por estudos da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) indicam que um extrato obtido das folhas da guabiroba-amarela-da-mata (Campomanesia xanthocarpa) pode ajudar na redução do colesterol e de marcadores glicêmicos. Os resultados foram observados em testes realizados com cães.
“Nos ensaios realizados, observamos uma redução significativa nos níveis de colesterol total e em alguns marcadores relacionados ao metabolismo glicêmico nos animais que receberam o alimento suplementado com o extrato das folhas de guabiroba, quando comparados ao grupo controle. Os resultados indicam uma tendência de melhora metabólica associada ao consumo do extrato, sugerindo que os compostos presentes na planta podem exercer um efeito modulador nesses parâmetros”, explica a doutora Aniela.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, as próximas etapas envolvem aprofundar os estudos para compreender melhor os mecanismos de ação dos compostos presentes na guabiroba. A partir dessa base científica mais consolidada, estudos clínicos em humanos podem ser considerados no futuro, sempre seguindo rigorosamente os protocolos éticos e regulatórios necessários, destaca a líder do do estudo.

O alimento foi administrado em dose de duas unidades por dia durante mais de 30 dias a cães saudáveis da raça beagle, mantidos na Fazenda Experimental da Udesc Oeste, localizada no município de Guatambu.

Vanessa explica que, no início da pesquisa foram avaliados tanto folhas quanto frutos da guabirobeira. No entanto, as folhas apresentaram resultados mais promissores, o que levou a equipe a concentrar os estudos nessa parte da planta.
A pesquisa foi conduzida com rigor científico. Vanessa revela que as folhas utilizadas no estudo foram coletadas em 2023, de uma árvore catalogada no herbário da Udesc.
Mais de 700 biscoitos foram produzidos para os testes. Antes disso, importantes estudos foram realizados para definir os parâmetros ideais de concentração do extrato e a formulação adequada do alimento utilizado nos experimentos.

Para a obtenção do extrato utilizado na pesquisa foi adotado o método de infusão a quente das folhas. De acordo com a nutricionista Cristiane, trata-se de um procedimento relativamente simples, escolhido justamente por poder ser reproduzido com facilidade. O processo consiste em secar as folhas no forno em baixa temperatura, e depois realizar a extração com água quente por determinado período. Contudo, as pesquisadoras ressaltam que as próximas fases da pesquisa são essenciais para garantir segurança no consumo. Os estudos deverão definir a dosagem adequada do extrato, sua possível toxicidade e a melhor forma de incorporá-lo em alimentos antes de qualquer recomendação para a população.
Nas pesquisas já concluídas, os estudos priorizaram a análise dos marcadores glicêmicos e do colesterol, que foram os resultados mais expressivos observados nos testes com cães. No entanto, as pesquisadoras apontam que a guabirobeira pode apresentar outros potenciais.

Por ser uma planta nativa e amplamente encontrada na região, a guabirobeira representa uma oportunidade de valorização da biodiversidade local.


