PODER DAS PLANTAS NATIVAS - 12/03/2026 07:20 (atualizado em 12/03/2026 07:42)

Pesquisa da Udesc aponta potencial da guabirobeira na redução do colesterol e glicemia

Resultados otimistas foram obtidos em testes realizados com cães; pesquisa foi coordenada no campus de Pinhalzinho e conta com a participação de pesquisadoras de Maravilha
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Foto: Acervo da professora Aniela Kepmka

A guabirobeira, planta que possui espécie nativa da região Sul do país, tem despertado o interesse de pesquisadores pelo seu potencial de contribuir para a saúde. Resultados divulgados recentemente por estudos da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) indicam que um extrato obtido das folhas da guabiroba-amarela-da-mata (Campomanesia xanthocarpa) pode ajudar na redução do colesterol e de marcadores glicêmicos. Os resultados foram observados em testes realizados com cães.

A pesquisa é coordenada pela professora Aniela Kempka, do Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química da Udesc, no campus do Centro de Educação Superior do Oeste (CEO), em Pinhalzinho. Também participam do estudo duas pesquisadoras que atuam profissionalmente em Maravilha: a engenheira química Vanessa Ruana Ferreira da Silva e a nutricionista Cristiane Chitolina Trema.

“Nos ensaios realizados, observamos uma redução significativa nos níveis de colesterol total e em alguns marcadores relacionados ao metabolismo glicêmico nos animais que receberam o alimento suplementado com o extrato das folhas de guabiroba, quando comparados ao grupo controle. Os resultados indicam uma tendência de melhora metabólica associada ao consumo do extrato, sugerindo que os compostos presentes na planta podem exercer um efeito modulador nesses parâmetros”, explica a doutora Aniela.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, as próximas etapas envolvem aprofundar os estudos para compreender melhor os mecanismos de ação dos compostos presentes na guabiroba. A partir dessa base científica mais consolidada, estudos clínicos em humanos podem ser considerados no futuro, sempre seguindo rigorosamente os protocolos éticos e regulatórios necessários, destaca a líder do do estudo. 

Na imagem as pesquisadoras Vanessa Ruana Ferreira da Silva, Aniela Kempka e Cristiane Chitolina Trema. Foto: Arquivo pessoal.
Testes foram realizados com cães
Segundo a pesquisadora Cristiane, para o estudo foi produzido um extrato das folhas da guabiroba a partir de uma infusão. Essa infusão foi utilizada na formulação de biscoitos destinados a um grupo de cães. Os biscoitos foram assados em formato de osso, e foram preparados com proteínas de quinoa, gelatina e outros ingredientes nutricionais.

O alimento foi administrado em dose de duas unidades por dia durante mais de 30 dias a cães saudáveis da raça beagle, mantidos na Fazenda Experimental da Udesc Oeste, localizada no município de Guatambu.

Após 28 dias de consumo dos biscoitos, as pesquisadoras observaram uma redução significativa nos marcadores glicêmicos. Já após 32 dias, foi registrada redução nos níveis de colesterol dos animais.
O biscoito para cães foi desenvolvido após ajustes no nível adequado de concentração do extrato. Foto: Arquivo pessoal

Vanessa explica que, no início da pesquisa foram avaliados tanto folhas quanto frutos da guabirobeira. No entanto, as folhas apresentaram resultados mais promissores, o que levou a equipe a concentrar os estudos nessa parte da planta.

Metodologia científica e estudos acadêmicos

A pesquisa foi conduzida com rigor científico. Vanessa revela que as folhas utilizadas no estudo foram coletadas em 2023, de uma árvore catalogada no herbário da Udesc.

Mais de 700 biscoitos foram produzidos para os testes. Antes disso, importantes estudos foram realizados para definir os parâmetros ideais de concentração do extrato e a formulação adequada do alimento utilizado nos experimentos.

O biscoito para cães foi desenvolvido após ajustes no nível adequado de concentração do extrato.
Os resultados fazem parte de pesquisas acadêmicas desenvolvidas em programas de pós-graduação da universidade. A dissertação de mestrado de Cristiane, no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA), investigou o potencial de controle glicêmico das folhas da guabiroba. Já a tese de doutorado de Vanessa, defendida em fevereiro deste ano no Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular (PMBqBM), vinculado ao Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc em Lages, focou na redução do colesterol.

Para a obtenção do extrato utilizado na pesquisa foi adotado o método de infusão a quente das folhas. De acordo com a nutricionista Cristiane, trata-se de um procedimento relativamente simples, escolhido justamente por poder ser reproduzido com facilidade. O processo consiste em secar as folhas no forno em baixa temperatura, e depois realizar a extração com água quente por determinado período. Contudo, as pesquisadoras ressaltam que as próximas fases da pesquisa são essenciais para garantir segurança no consumo. Os estudos deverão definir a dosagem adequada do extrato, sua possível toxicidade e a melhor forma de incorporá-lo em alimentos antes de qualquer recomendação para a população.

Potencial para novas pesquisas

Nas pesquisas já concluídas, os estudos priorizaram a análise dos marcadores glicêmicos e do colesterol, que foram os resultados mais expressivos observados nos testes com cães. No entanto, as pesquisadoras apontam que a guabirobeira pode apresentar outros potenciais.

Entre as possibilidades futuras poderão ser estudadas de forma mais aprofundada a ação antioxidante da planta e até investigações relacionadas ao potencial de seus compostos no combate ao câncer.

A guabiroba-amarela-da-mata é uma planta nativa da região Sul. Foto: Acervo da professora Aniela Kempka
Valorização da flora regional

Por ser uma planta nativa e amplamente encontrada na região, a guabirobeira representa uma oportunidade de valorização da biodiversidade local. 

A pesquisa também evidencia o potencial da flora brasileira para o desenvolvimento de novos produtos e soluções na área da saúde. “A guabiroba, pertencente ao gênero Campomanesia, já era utilizada na medicina popular, o que despertou nossa curiosidade científica. O que mais chamou atenção foi observar que um extrato obtido de uma planta nativa apresentou efeitos metabólicos relevantes quando incorporado a um alimento. Isso reforça o potencial da biodiversidade como fonte de compostos bioativos”, analisa Aniela.
A Líder FM teve a oportunidade de conversar com a engenheira química Vanessa Ruana Ferreira da Silva e a nutricionista Cristiane Chitolina Trema, pesquisadoras que fazem parte do estudo. A entrevista foi veiculada na manhã desta quinta-feira. Foto: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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Fonte: Tamara Finardi/ WH Comunicações/ Líder
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