
A Justiça de Santa Catarina condenou uma mulher acusada de aliciar adolescentes para exploração sexual em casas noturnas na cidade de São José, na Grande Florianópolis.
A sentença foi proferida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina e prevê pena de seis anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto, além de dois anos e oito meses em regime aberto e o pagamento de 29 dias-multa.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, a mulher induzia e atraía adolescentes para ambientes noturnos com forte apelo sexual, onde havia consumo de bebidas alcoólicas e presença predominante de homens.
O objetivo era aumentar o público e promover eventos em casas noturnas, enquanto a condenada recebia vantagens financeiras e materiais, incluindo pagamentos realizados via Pix e bônus por cada jovem recrutada.
Os fatos ocorreram entre 2023 e 2024. Na época, as vítimas estavam acolhidas em uma instituição de assistência social.
Operação revelou atuação organizada
As investigações foram aprofundadas a partir da Operação Inocência, iniciada em junho de 2025 com atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas.
Segundo o MPSC, a mulher atuava como captadora, organizadora e influenciadora, recrutando jovens para frequentar os eventos.
Também foi identificado que ela:
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Promovia “combos” de bebidas;
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Oferecia “amigas” para frequentadores das casas noturnas;
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Produzia flyers com fotos de adolescentes para divulgar eventos;
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Fornecia bebida alcoólica às menores;
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Armazenava material de pornografia infantil.
Prisão e decisão da Justiça
A denúncia do Ministério Público foi recebida em maio de 2025, quando foram autorizadas buscas e apreensões, quebra de sigilo de dados e prisão preventiva da investigada. Posteriormente, a prisão foi substituída por medidas cautelares.
A Justiça permitiu que a mulher recorra em liberdade, mas o MPSC informou que pretende recorrer da decisão para pedir indenização por danos morais às vítimas.
Como denunciar
Casos de violência ou exploração contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, que funciona 24 horas e de forma anônima, ou diretamente às autoridades policiais. Em situações de emergência, o atendimento pode ser acionado pelo 190, da Polícia Militar de Santa Catarina.

