
Com a delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a caminho, nomes que vão do Planalto ao Centrão, passando pela direita, podem surgir no processo. O banqueiro assinou o termo de confidencialidade há duas semanas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a Polícia Federal — e, a depender do trâmite, a colaboração deve coincidir com o período eleitoral.
As declarações de Vorcaro podem impactar na estratégia dos partidos para as eleições gerais de 2026. A assinatura da confidencialidade representa a primeira etapa para firmar um acordo de colaboração premiada.
Desde então, os advogados intensificaram as reuniões com o banqueiro e estão oficialmente indo à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde Vorcaro está preso, para coletar as informações e apresentar a proposta às autoridades.
Essa é a chamada fase dos anexos, em que a defesa divide a delação em blocos e temas para esmiuçar o conteúdo e indicar todas as provas existentes. A expectativa é avançar para que o acordo seja homologado nos próximos três meses.
O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
A suspeita dos investigadores é de que Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos, incluindo deputados, senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. Também teriam sido identificadas fotos dessas pessoas em confraternizações com o banqueiro.
Veja nomes
O Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O ex-presidente Jair Bolsonaro e Tarcísio Gomes de Freitas foram citados em relação a doações de campanha. Flávio Bolsonaro também foi mencionado.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi chamado de “grande amigo” por Vorcaro. Ele voou em um helicóptero ligado ao empresário.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, esteve na mesma aeronave.
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao governo da Bahia, confirmou ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag.
No Judiciário, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são citados em conversas do banqueiro.
Figuras do Banco Central (Roberto Campos Neto, Paulo Sérgio Neves, Belline Santana) foram listados nas mensagens.
Há, ainda, a presença de nomes ligados ao Banco de Brasília (BRB), que tentou comprar o Master. O banco da capital federal tem o Governo do Distrito Federal como acionista majoritário.
Dentro do Congresso, o possível vínculo do empresário tem gerado temor e apreensão quanto à extensão de uma eventual delação. No mês passado, durante visitas à sala-cofre da CPMI do INSS, parlamentares, tanto da base governista quanto da oposição, tentaram afastar qualquer associação dos grupos aos esquemas investigados.
Eles temem o efeito na campanha eleitoral. Uma pesquisa da Genial/Quaest, divulgada em 12 de março, mostrou que 38% dos eleitores afirmaram que evitariam votar em qualquer candidato envolvido no caso, enquanto 29% disseram que levariam o tema em consideração, mas como um dos fatores na escolha do voto. Apenas 20% afirmaram que o escândalo não influenciaria na decisão.
Além do inquérito da PF e da CPMI, Vorcaro passou a ser alvo de apurações da CPI do Crime Organizado no Senado, que investiga possíveis atividades financeiras suspeitas e atuação de supostas organizações criminosas.

