
Com a possibilidade de formação do fenômeno El Niño a partir do próximo semestre, o governo de Santa Catarina intensificou ações preventivas para reduzir os impactos de chuvas acima da média no Estado. Entre as medidas já adotadas estão a limpeza de rios, capacitação de equipes da Defesa Civil e a retirada de árvores em áreas de risco.
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Segundo o Executivo estadual, as barragens do Alto Vale do Itajaí — fundamentais no controle de enchentes — estão operacionais, embora ainda necessitem de alguns consertos pontuais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, próximo ao Peru. Quando a temperatura se mantém ao menos 0,5°C acima da média por vários meses, há maior evaporação, formação de nuvens carregadas e alterações na circulação atmosférica, o que favorece chuvas mais frequentes e prolongadas no Sul do Brasil.
De acordo com o mais recente relatório da NOAA, a chance de o El Niño começar a se estabelecer no inverno é de 61%, com possibilidade de persistir até o verão. Na última segunda-feira (20), a temperatura do Pacífico Equatorial Central atingiu pela primeira vez neste ano a marca de 0,5°C acima da média.
Apesar disso, o fenômeno ainda não está oficialmente configurado, já que são necessários cerca de seis meses consecutivos de aquecimento para a confirmação científica. Mesmo assim, especialistas alertam que o atual cenário já é suficiente para interferir nos padrões climáticos globais.
Segundo o meteorologista da Defesa Civil estadual, Caio Guerra, há “confiança relativamente alta” na formação do El Niño, embora a intensidade ainda seja incerta. “Esse tempo de antecipação aumenta a incerteza, mas exige preparação”, afirmou.
Risco de chuvas intensas e desastres naturais
Em nota conjunta, meteorologistas da Defesa Civil e da Epagri/Ciram destacaram que o momento exige monitoramento contínuo e ações preventivas por parte do poder público e da população.
As ações fazem parte da Operação Primavera 2026, programada de 1º de junho a 21 de setembro, com foco em áreas suscetíveis a alagamentos e desmoronamentos. A partir de 22 de setembro, equipes da Defesa Civil estadual e municipal entrarão em regime de plantão.
Impactos também no campo
Além dos riscos urbanos, a previsão de chuvas intensas pode afetar as safras agrícolas de 2026 e 2027, trazendo reflexos diretos para o setor agropecuário. Por isso, produtores contam com o monitoramento climático contínuo realizado pela Epagri/Ciram.
— É momento de acompanhar, monitorar e tomar ações de prevenção — reforçou a meteorologista Maria Laura Rodrigues, do Ciram.

