
A paciente diagnosticada com hantavírus em Santa Catarina permaneceu internada por 16 dias antes de receber alta hospitalar. A mulher, de 60 anos, mora na área rural de Seara, no Oeste catarinense.
Segundo as autoridades de saúde, a paciente não havia realizado viagens antes do diagnóstico e nenhum familiar apresentou sintomas da doença. Após passar por tratamento intensivo, ela teve recuperação completa.
O caso registrado em Santa Catarina possui uma linhagem diferente da relacionada ao surto investigado em um cruzeiro internacional. A informação foi reforçada pela Dive, que descartou qualquer relação entre os episódios.
Conforme a fiscal de Vigilância Sanitária e coordenadora de arboviroses de Seara, Cintia Mara Schwartz, o caso ocorreu ainda no mês de fevereiro, antes do episódio envolvendo o navio que gerou alerta internacional.
A paciente foi atendida inicialmente no Hospital São Roque, em Seara, mas devido à gravidade do quadro precisou ser transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Concórdia. A alta hospitalar ocorreu no dia 13 de março.
“Ela não tem nenhum familiar com sintomas relacionados à doença. Ela está bem agora e consideramos que entrou no processo de cura, ou seja, caso encerrado porque já fez todos os testes necessários”, explicou Cintia.
Após a confirmação do diagnóstico, equipes das Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária realizaram uma investigação na propriedade da paciente para identificar possíveis fontes de contaminação.
“Foi feito todo um trabalho de orientação. Além disso, a paciente foi assistida pela atenção básica do município, com monitoramento dos exames”, acrescentou a coordenadora.
Ainda nesta semana, o município promoveu orientações aos agentes de saúde sobre os sintomas e formas de prevenção da doença. A recomendação é que pessoas com sintomas compatíveis procurem atendimento médico imediatamente.
A infectologista da Dive, Regina Valin, afirmou que a possibilidade de epidemia é considerada muito pequena. Segundo ela, os casos registrados em Santa Catarina ocorrem todos os anos, principalmente em regiões com grande produção agrícola e circulação de roedores silvestres.
A especialista reforçou que a variante identificada no Estado não apresenta transmissão entre pessoas. Os casos costumam estar associados ao contato com secreções de roedores contaminados.
A hantavirose é uma doença infecciosa aguda causada por vírus do gênero Orthohantavirus. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas virais presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados.
De acordo com o infectologista Fábio Gaudenzi, os casos geralmente acontecem em áreas rurais, galpões, depósitos, paióis, lavouras e ambientes fechados por longos períodos.
Entre os sintomas iniciais estão febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar, náuseas e dor abdominal. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar e insuficiência respiratória.
Entre 2020 e 2026, Santa Catarina registrou 92 casos de hantavirose. Os números apontam 26 casos em 2023, 11 em 2024, 15 em 2025 e um caso confirmado até o momento em 2026.
As autoridades de saúde orientam a população a evitar contato com locais infestados por roedores, manter ambientes limpos e ventilados, armazenar alimentos adequadamente e utilizar equipamentos de proteção ao realizar limpezas em locais fechados ou com sinais de infestação.

