
A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a fuga do traficante Gerson Palermo, apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), e encaminhou o relatório ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso envolve o desembargador aposentado compulsoriamente Divoncir Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Segundo a investigação, Maran autorizou, em 2020, a saída de Palermo do Presídio Federal de Campo Grande para cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. No mesmo dia em que recebeu o benefício, o traficante rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Desde então, permanece foragido e integra a lista dos criminosos mais procurados do país.
A PF apura possíveis crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Mensagens encontradas em celulares de assessores do gabinete levantaram suspeitas de que a decisão judicial teria sido previamente articulada.
De acordo com a investigação, o habeas corpus que resultou na soltura possuía 208 páginas e foi analisado em cerca de 40 minutos durante o plantão judicial. Em mensagens apreendidas, assessores mencionam que a concessão do benefício teria ocorrido por determinação direta do desembargador.
A prisão domiciliar foi concedida durante a pandemia de Covid-19, sob a justificativa de problemas de saúde do detento. No entanto, conforme apontou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
Palermo acumula condenações que somam quase 126 anos de prisão. Entre os crimes atribuídos a ele está a participação no sequestro de um avião da antiga Vasp, em 2000, quando criminosos roubaram cerca de R$ 5,5 milhões em malotes bancários. Ele também foi condenado por tráfico internacional de drogas após investigação da Operação All In, deflagrada pela Polícia Federal em 2017.
Em março deste ano, o CNJ aplicou a Divoncir Maran a pena de aposentadoria compulsória. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa mudanças no entendimento sobre punições disciplinares a magistrados, incluindo a possibilidade de perda definitiva do cargo em casos considerados graves.
A investigação segue sob análise do STJ, que deverá decidir sobre os próximos desdobramentos do caso.

