
A operação para retirar, tratar e encaminhar para adoção mais de 400 gatos encontrados em um apartamento no Centro de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, pode gerar um custo de até R$ 500 mil aos cofres públicos. A estimativa foi divulgada pela prefeitura nesta segunda-feira (8), durante uma coletiva de imprensa que apresentou os detalhes do plano de ação para o resgate dos animais.
Apesar de a responsabilidade pelo acúmulo dos gatos ser atribuída à tutora do imóvel — uma mulher de 73 anos investigada por maus-tratos — o município assumirá, inicialmente, todas as despesas relacionadas à operação. Os custos envolvem a retirada dos animais, atendimento veterinário, castração, manutenção em abrigo temporário e o processo de adoção responsável.
Segundo o prefeito Fábio Ferri, a prefeitura irá buscar na Justiça o ressarcimento dos valores investidos.
— O município já atua fortemente na proteção animal e, neste caso, não será diferente. Mas é importante destacar que vamos buscar o ressarcimento das despesas na esfera judicial. Precisamos tomar providências para evitar ações irresponsáveis que causem sofrimento animal e riscos à saúde pública — afirmou.
Retirada será gradual e começará nesta sexta-feira

A remoção dos gatos está prevista para iniciar na próxima sexta-feira (12) e ocorrerá de forma gradativa, conforme a capacidade de atendimento das clínicas veterinárias credenciadas pelo município.
Os animais serão encaminhados inicialmente para cinco estabelecimentos responsáveis pela triagem: Canikat’s, Pet Life, Anjo Pet, Le Petit e Dogs & Cia. Nesses locais, os gatos passarão por avaliação clínica e permanecerão em quarentena.
Caso sejam identificadas doenças ou outras condições de saúde, os felinos receberão tratamento veterinário antes de avançarem para a próxima etapa do processo.
Após a triagem, todos os animais serão encaminhados ao Instituto Federal Catarinense (IFC), onde passarão por procedimentos de castração. Em seguida, serão levados para um lar provisório administrado pela clínica Anjo Pet, que ficará responsável pelos cuidados contínuos e acompanhamento veterinário até que os gatos sejam disponibilizados para adoção.
A prefeitura informou que ainda não há prazo definido para a conclusão da operação, já que o andamento dependerá tanto da capacidade das clínicas quanto do estado de saúde dos animais.
Além disso, somente após a retirada completa será possível determinar com precisão o número total de gatos ainda presentes no imóvel. Conforme a Diretoria de Proteção Animal, a população pode ter diminuído nos últimos meses em razão da morte de alguns animais e da fuga de outros, já que parte das telas de proteção do apartamento está danificada.
Situação se arrasta há cerca de dez anos
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação das condições insalubres em que os animais viviam dentro de um apartamento de aproximadamente 200 metros quadrados, localizado na área central da cidade.
Relatórios técnicos apontam que os gatos ocupavam praticamente todos os ambientes do imóvel, ficando aglomerados em corredores, móveis, janelas e áreas contaminadas por fezes e urina. Mesmo com o tamanho do apartamento, o espaço já não comportava a quantidade de animais existentes.
Segundo a prefeitura, a situação começou há cerca de dez anos, quando a moradora possuía apenas um casal de gatos. Sem controle reprodutivo, a população aumentou de forma desordenada ao longo dos anos.
O município afirma que tomou conhecimento formal do caso em setembro do ano passado. Durante uma fiscalização realizada pela Secretaria de Meio Ambiente e pela Diretoria de Proteção Animal, foram contabilizados 424 gatos no local.
Na ocasião, a tutora recebeu um termo de responsabilidade, com prazo de 30 dias para providenciar atendimento veterinário, vacinação e castração dos animais. As exigências, no entanto, não foram cumpridas.
Justiça determinou retirada dos animais
Diante do descumprimento das medidas iniciais, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que elaborou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecendo novas obrigações à tutora. O acordo foi assinado em abril deste ano, mas novamente não foi cumprido.
Com isso, a Justiça determinou a retirada imediata dos animais do imóvel e estabeleceu que a mulher receba acompanhamento psicológico. Paralelamente, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar possíveis crimes de maus-tratos.
Embora uma vistoria judicial tenha identificado oficialmente 119 animais, levantamentos técnicos da prefeitura indicam que mais de 400 gatos ocupavam o apartamento.
Agora, com a decisão judicial em vigor, o município dará início à operação de resgate, tratamento e reabilitação dos animais, que somente após esse processo serão encaminhados para adoção responsável.

