"Sicarius I e Sicarius II" - 09/06/2026 09:49

Operação da PF mira contrabando de agrotóxicos e cigarros

Três policiais rodoviários federais estão entre os alvos de mandados de prisão; força-tarefa cumpre ordens judiciais em seis estados
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PF deflagrou operações Sicarius I e II com apoio da Receita e da Corregedoria da PRF | Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (9), as operações Sicarius I e Sicarius II contra uma organização criminosa suspeita de atuar em contrabando de cigarros, importação ilegal de agrotóxicos e falsificação de documentos e placas de veículos em diferentes regiões do país. A ação ocorre simultaneamente em sete estados (Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e cumpre 58 mandados de prisão, sendo 44 preventivas e 14 temporárias.

Segundo as investigações, o grupo também é suspeito de envolvimento em crimes de corrupção de servidores e lavagem de dinheiro. A operação conta com apoio da Receita Federal e da Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e tem como alvo agentes públicos que teriam facilitado a atuação da quadrilha. Entre os investigados, segundo apurou o SBT News, estão três policiais rodoviários federais que são alvos de ordens judiciais de prisão.

Além das ordens de prisão, a 1ª Vara Federal da Justiça Federal de Guaíra (PR) expediu 62 mandados de busca e apreensão, 45 de sequestro e bloqueio de contas bancárias, 5 de cancelamento de CPFs, 7 de cancelamento de CNPJs e 67 para instauração de procedimentos administrativos fiscais contra empresas em 12 estados (AL, ES, GO, MG, MT, MS, PE, PR, RJ, RS, SC e SP).

As medidas judiciais foram cumpridas nos municípios de Guaíra (PR), Mandirituba (PR), Piraquara (PR), Fazenda Rio Grande (PR), Cascavel (PR), Ubiratã (PR), Londrina (PR), Maringá (PR), Cianorte (PR), Umuarama (PR), Praia Grande (SP), Canelinha (SC), Imaruí (SC), Não-Me-Toque (RS), Nova Andradina (MS), Maracaju (MS), Mundo Novo (MS), Eldorado (MS), Jandaia (GO) e Belém (PA).

Participaram das ações 220 policiais federais, 7 auditores fiscais e 2 analistas tributários da Receita.

Segundo a PF, "também foram autorizadas medidas voltadas à cooperação jurídica internacional, destinadas ao aprofundamento das investigações e à identificação de ativos, pessoas e estruturas criminosas eventualmente localizadas no exterior".

Cigarros contrabandeados do Paraguai

A organização criminosa atuava a partir de uma "estrutura altamente organizada", com divisão de funções em diversos estados brasileiros, utilização de empresas de fachada, "laranjas" e mecanismos de ocultação patrimonial para dificultar a origem ilícita de recursos obtidos principalmente de cigarros contrabandeados do Paraguai.

Conforme informações da Receita, suspeitos atuavam na fronteira entre Brasil e o país vizinho, sobretudo na cidade paranaense de Guaíra. Apurações identificaram a participação de um doleiro que teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024.

"Segundo as investigações, o doleiro controlava contas em nome de pessoas interpostas e de empresas de fachada. Concluiu-se que o investigado seria figura central nas operações de lavagem de dinheiro da organização criminosa, tendo movimentado apenas em suas contas bancárias pessoais o total bruto de mais de R$ 114 milhões de reais no período", detalhou a Receita em nota.

A investigação foi aprofundada a partir de prisões em flagrante de diversos suspeitos, especialmente no transporte de cigarros contrabandeados. "Os investigados ocultavam os bens adquiridos em transações utilizando pessoas interpostas (laranjas) e empresas de fachada, sendo que as movimentações financeiras seriam realizadas por meio de um doleiro", acrescentou o órgão.

A ações de hoje, de acordo com a Polícia Federal, visam interromper o fluxo financeiro dos suspeitos e "preservar ativos que poderão ser destinados ao ressarcimento dos prejuízos causados ao Estado e à sociedade". Os nomes das operações fazem referência a um dos codinomes usados pelo líder da quadrilha.

Fonte: SBTNEWS
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