Contra vontade do Governo - 10/06/2026 21:49 (atualizado em 10/06/2026 22:27)

Senado aprova renegociação de dívidas de produtores rurais

Governo tentou barrar tramitação do PL do crédito rural, alegando incapacidade para subsidiar dívidas do agro, mas não obteve sucesso
Recomendar correção
Obrigado pela colaboração!
Senadores aprovaram relatório que autoriza uso de Fundo do Pré-sal para socorrer agronegócio. Foto: Carlos Moura/Agência Senado/N

O Senado aprovou nesta quarta-feira (10), em votação simbólica, um projeto de lei que permite a renegociação de dívidas rurais a contragosto da equipe econômica do governo Lula (PT), que buscou, sem sucesso, entendimento durante a tarde com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O impacto fiscal estimado é de R$ 120 bilhões pelos próximos 10 anos, segundo cálculo dos senadores. O Ministério da Fazenda, por sua vez, já fala em R$ 140 bilhões de custo para as contas públicas. O projeto volta agora para a Câmara dos Deputados.

A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de produtores rurais que sofreram perdas causadas por calamidades climáticas. O Planalto e a Fazenda, por outro lado, consideram que esse fundo deveria continuar priorizando áreas como educação, saúde e habitação social. O texto também prevê a utilização de dinheiro dos fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO).

Calheiros foi decisivo na ampliação do escopo do projeto na CAE. A versão votada em agosto de 2025 na Câmara se limitava à securitização das dívidas de produtores afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, mas, por influência do senador alagoanoe pressão do agro, passou a abarcar também outros estados do país. Um dos argumentos utilizados foi a oscilação nos preços do dólar com a guerra no Irã nos contratos de importação do meio rural.

Dezenas de produtores rurais vieram acompanhar a discussão e pressionar os parlamentares a aprovarem o texto. Outro a vir pessoalmente a Brasília foi Eduardo Leite (PSD), governador gaúcho.

Os discursos que antecederam a aprovação foram de aceno unânime aos produtores tanto de governistas quanto de senadores de oposição, em sinal de que a pauta tem apelo popular e está no centro da agenda rural.

Alcolumbre acelerou a apreciação de olho no curto prazo do calendário, em se considerando o recesso parlamentar de julho e o esvaziamento do Congresso no segundo semestre por causa das eleições. As mudanças feitas no Senado forçam o projeto a retornar para análise da Câmara.

Contudo, a pauta da Casa está trancada desde o fim de maio por conta de um projeto do governo sobre o fim da escala 6x1 que tramitava em urgência e não foi analisado a tempo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobra a retirada da urgência, enquanto governistas insistem em mantê-la como estratégia para pressionar o tema a avançar no Congresso, já que Alcolumbre ainda não estabeleceu um calendário para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema aprovada pelos deputados no fim de maio.

A pauta-bomba coroa um dia de “bombardeio fiscal” do Senado contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar dos esforços do ministro da Fazenda, Dario Durigan, Alcolumbre chancelou a aprovação, além da renegociação das dívidas, também da PEC dos agentes de saúde e do piso salarial dos médicos. Ambas trazem impacto fiscal bilionário para a União.

Essas votações ocorrem em um momento de pressão sobre as contas públicas. Nesta quarta, o Tribunal de Contas da União (TCU) alertou para a preocupação com a trajetória da dívida pública, renúncias fiscais e riscos envolvendo estatais durante a análise das contas de 2025 do presidente Lula.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi aprovada a PEC que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, com previsão de aposentadoria especial com integralidade e paridade.

Na prática, isso significa que os profissionais poderiam se aposentar com direito ao mesmo salário da ativa e aos mesmos reajustes concedidos aos servidores em atividade. A proposta também cria a possibilidade de pagamento de uma complementação pela União quando o benefício pago pelo regime previdenciário for menor que a remuneração do cargo. Cálculos da equipe econômica estimam impacto fiscal de R$ 99 bilhões para a União e R$ 70 bilhões para os municípios até a extinção completa dos efeitos da medida – ou seja, a morte do último beneficiário contemplado.

Já a Comissão de Assuntos Sociais, aprovou o projeto de lei que eleva o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. O aval foi em caráter terminativo, ou seja, segue diretamente para análise da Câmara. Para este projeto, o impacto fiscal estimado é de R$ 47 bilhões para União e R$ 30 bilhões para municípios.

A trinca de pautas, portanto, traz um riscal fiscal próximo a R$ 290 bilhões nos próximos anos para o governo.

Fonte: SBTNEWS
Publicidade
Publicidade
Cadastro WH3
Clique aqui para se cadastrar
Entre em contato com a WH3
600

Rua 31 de Março, 297

Bairro São Gotardo

São Miguel do Oeste - SC

89900-000

(49) 3621 0103

Carregando...