
O número de mortos em decorrência dos dois terremotos que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho subiu para 4.490, segundo novo balanço divulgado pelo governo neste domingo (12). O total de feridos permanece em 16.740, enquanto mais de 19,5 mil pessoas continuam alojadas em abrigos provisórios.
A região mais afetada é o estado de La Guaira, na costa venezuelana, vizinho à capital Caracas. Com a destruição de centenas de imóveis, milhares de famílias passaram a ocupar estádios, escolas, praças e outros espaços públicos enquanto aguardam uma solução habitacional.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo e provocaram o colapso de edifícios inteiros. O segundo tremor foi considerado o mais intenso registrado no país em mais de um século.
Buscas continuam
O governo venezuelano ainda não divulgou um número atualizado de desaparecidos. No entanto, estimativas das Nações Unidas indicam que até 50 mil pessoas podem continuar sem localização confirmada.
Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, 315 corpos ainda aguardam identificação, enquanto as equipes de resgate seguem atuando nas áreas devastadas.
Moradores também participam das buscas entre os escombros, muitas vezes utilizando ferramentas improvisadas. Há preocupação de familiares com a possibilidade de remoção das estruturas antes da localização de todas as vítimas, hipótese descartada pelas autoridades.
Até o momento, o balanço oficial aponta que 6.462 pessoas foram resgatadas. Cerca de 190 edifícios desabaram ou sofreram graves danos estruturais, enquanto centenas de outras construções apresentaram avarias.
Situação humanitária preocupa
Além dos impactos provocados pelo desastre, as condições nos abrigos temporários preocupam as autoridades sanitárias. Mais de 80 centros de acolhimento enfrentam superlotação, falta de infraestrutura, saneamento precário e dificuldades no abastecimento de água potável.
Em algumas áreas de La Guaira, moradores têm recorrido às praias para realizar a higiene pessoal devido à ausência de instalações adequadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o risco de surtos de doenças como cólera, sarampo, tétano e tuberculose. A entidade coordena equipes médicas internacionais, enviou suprimentos de emergência e destinou US$ 1,5 milhão para apoiar as ações de resposta ao desastre.
As Nações Unidas estimam que 1,3 milhão de venezuelanos necessitam de assistência humanitária e lançaram um apelo internacional para arrecadar cerca de US$ 300 milhões, valor que será destinado às operações de socorro e à reconstrução das áreas atingidas.

