ECONOMIA - 13/07/2026 15:53

Possível 'super' El Niño acende alerta para agricultura e pode impactar produção em SC

Fenômeno climático previsto para o segundo semestre de 2026 pode provocar excesso de chuvas no Sul do Brasil, afetar lavouras e influenciar os preços dos alimentos.
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Entre as hortaliças, alho e cebola tendem a ser as culturas mais impactadas em SC pelo El Niño (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total e arte de Ben Ami Scopinho sobre arte de ESA)

A possibilidade de um "super" El Niño na segunda metade de 2026 tem preocupado especialistas e produtores rurais. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode alterar o regime de chuvas em diversas regiões do Brasil, afetando a produção agrícola e refletindo no preço dos alimentos.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o El Niño atinja a categoria de "super" ainda em 2026. Caso a previsão se confirme, este poderá ser o evento mais intenso registrado desde o início das medições, em 1950.

No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o fenômeno deve provocar chuvas acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar precipitações abaixo da média e períodos de seca.

Impactos previstos para Santa Catarina

Em Santa Catarina, a Epagri prevê um inverno marcado por chuvas frequentes, elevada umidade e temperaturas mais amenas. Embora essas condições possam favorecer algumas culturas de inverno, também aumentam o risco de doenças, encharcamento do solo e dificuldades nas atividades de campo.

As hortaliças estão entre as culturas que exigem maior atenção. O alho e a cebola podem sofrer perdas devido ao excesso de umidade, que favorece doenças bacterianas e dificulta o manejo das lavouras. No caso da cebola, o aumento do teor de água nos bulbos também pode reduzir o tempo de armazenamento após a colheita.

Entre os grãos de inverno, o trigo pode registrar maior incidência de doenças fúngicas e dificuldades durante fases importantes do desenvolvimento. Já a aveia tende a ser beneficiada pela umidade no início do ciclo, desde que não ocorram longos períodos de encharcamento. A cevada também pode apresentar bom desempenho, dependendo das condições climáticas ao longo da safra.

Produção já apresenta estimativas de queda

Mesmo antes da confirmação dos efeitos do El Niño, a Epagri/Cepa já projeta redução na produção de algumas culturas em Santa Catarina.

As estimativas iniciais indicam:

- Alho: queda de 13% na área plantada e redução de 17% na produção, estimada em 7,3 mil toneladas;

- Cebola: redução de 9% na área cultivada e na produção, prevista em 576,4 mil toneladas;

- Trigo: diminuição de cerca de 27% na área plantada e de 29% na produção, estimada em 271 mil toneladas.

Por outro lado, algumas culturas apresentam perspectivas positivas. A produção de aveia-grão deve crescer 12,8%, impulsionada pela ampliação da área cultivada, enquanto a cevada pode registrar aumento de 3,8% na produção.

Reflexos no preço dos alimentos

Os efeitos do fenômeno podem ultrapassar as propriedades rurais e chegar ao bolso do consumidor. De acordo com o pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, alterações nas janelas de plantio e perdas durante a colheita tendem a reduzir a oferta de alimentos, favorecendo a alta dos preços.

Além da agricultura, o Inmet alerta que a pecuária também pode ser impactada, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país, onde a redução das chuvas pode comprometer a disponibilidade de água e de pastagens.

Epagri orienta produtores

Diante da possibilidade de um evento climático intenso, a Epagri informou que está acompanhando continuamente as condições de clima e solo e reforçando as orientações aos agricultores catarinenses.

A recomendação é que os produtores acompanhem os boletins meteorológicos, adotem práticas de conservação do solo, como plantio direto e terraceamento, e mantenham contato com os escritórios da instituição para receber orientações técnicas durante o período de maior risco climático.

Fonte: WH3 com NSC
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