
A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, volume 2,2% superior ao registrado na temporada anterior. O crescimento representa um acréscimo de aproximadamente 7,8 milhões de toneladas, de acordo com o 10º Levantamento da Safra de Grãos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo a estatal, o resultado é impulsionado principalmente pelo aumento da área cultivada, que deve atingir 83,5 milhões de hectares. A produtividade média das lavouras, por sua vez, deve permanecer estável, com estimativa de 4.311 quilos por hectare.
Milho mantém crescimento
A produção total de milho, considerando as três safras, está estimada em 141,7 milhões de toneladas, crescimento de 0,4% em comparação com a safra anterior.
A primeira safra já foi praticamente concluída, com produção estimada em 29,6 milhões de toneladas. Já a colheita da segunda safra alcançou 38,9% da área cultivada, com expectativa de produção de 109,43 milhões de toneladas. A terceira safra deve somar 2,7 milhões de toneladas.
De acordo com a Conab, o Mato Grosso apresentou condições climáticas favoráveis durante o ciclo, enquanto estados como Goiás, Minas Gerais e Piauí registraram períodos de estiagem entre abril e maio, afetando parte das lavouras. Em Sergipe e Alagoas, a falta de chuvas também prejudicou o desenvolvimento da terceira safra.
Algodão deve ter maior produtividade
A produção de algodão está estimada em 4,06 milhões de toneladas de pluma. Apesar da redução de 3,2% na área plantada, que ficou próxima de 2 milhões de hectares, a produtividade deve crescer 2,8% graças às condições climáticas favoráveis.
Soja segue em alta
A soja encerrou a colheita com produção estimada em 180,6 milhões de toneladas, um aumento de 5,3% em relação à safra passada.
Segundo a Conab, o desempenho positivo foi impulsionado pela ampliação da área cultivada, pelo uso de tecnologias no campo e pelas boas condições climáticas registradas durante o ciclo produtivo.
Arroz, feijão e trigo apresentam queda
Entre as culturas que registram retração, o arroz deve produzir 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,1%, reflexo da redução da área destinada ao cultivo.
O feijão tem produção estimada em 3 milhões de toneladas, redução de 1,4% em comparação ao ciclo anterior. Apesar da queda, a Conab afirma que o volume será suficiente para atender ao consumo interno.
Já o trigo, ainda em fase final de plantio, deve registrar uma das maiores retrações da safra. A previsão é de 6 milhões de toneladas, volume 23,5% inferior ao da temporada passada, devido à diminuição da área cultivada e à expectativa de menor produtividade.
Estoques e exportações
A Conab também atualizou as projeções para o mercado agrícola.
Para o milho, o estoque final deve atingir aproximadamente 14,5 milhões de toneladas até janeiro de 2027.
No algodão, a expectativa é de exportação de 3,38 milhões de toneladas de fibra, enquanto o estoque final deve chegar a 2,67 milhões de toneladas.
No caso da soja, o estoque final foi revisado para 8,8 milhões de toneladas, considerando o aumento no processamento do grão e nas exportações, que devem alcançar 116,3 milhões de toneladas.
O levantamento faz parte do monitoramento periódico realizado pela Conab sobre a produção agrícola nacional e o comportamento do mercado das principais culturas cultivadas no país.

